Morre Amelinha Teles, ativista política e feminista que enfrentou a ditadura
Por Camila Bezerra — GGN
A ativista política e feminista Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como Amelinha Teles, morreu nesta terça-feira (15), aos 81 anos. Presa durante a ditadura militar, em 1972, ela foi torturada por agentes da repressão e se tornou, ao longo das décadas seguintes, uma das principais referências na defesa dos direitos humanos, da democracia e dos direitos das mulheres no Brasil.
Amelinha foi presa em 28 de dezembro de 1972 e levada à Operação Bandeirantes (Oban), em São Paulo, onde foi submetida a sessões de tortura. Na época, era militante política e atuava na resistência ao regime militar.
O então major do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandava o DOI-Codi de São Paulo, participou do aparato de repressão que a torturou. O marido de Amelinha, César Augusto Teles, e o militante Carlos Nicolau Danielli também foram presos e levados ao órgão. Amelinha testemunhou a morte de Danielli durante o período de prisão.
Os filhos dela, Edson e Janaína, que tinham 4 e 5 anos na época, também foram sequestrados e levados à Oban. As crianças presenciaram as sessões de tortura contra os pais.
Após a ditadura, Amelinha manteve atuação permanente na defesa da memória e da justiça para vítimas do regime militar. Ela participou de iniciativas voltadas à investigação de violações de direitos humanos cometidas durante o período e também colaborou com pesquisas sobre a responsabilidade de empresas em violações ocorridas durante a ditadura.
Uma dessas iniciativas foi coordenada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que investigou a participação e a responsabilidade de empresas em violações de direitos durante o regime.
Atuação pelos direitos das mulheres
A trajetória de Amelinha também foi marcada pela militância feminista. Na década de 1970, ela participou do Jornal Brasil Mulher, uma das publicações que contribuíram para a organização do movimento feminista brasileiro durante a ditadura.
Como advogada e formadora de Promotoras Legais Populares, Amelinha teve participação na mobilização que contribuiu para a efetivação da Lei Maria da Penha, legislação criada para combater a violência doméstica e familiar contra as mulheres.
Sua atuação combinou a defesa dos direitos das mulheres com a luta pela democracia e pela responsabilização por violações cometidas pelo Estado.
Memória da ditadura
Amelinha também defendia que a sociedade brasileira mantivesse o debate sobre os crimes e violações cometidos durante a ditadura militar. Em entrevista ao podcast Perdas e Danos, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), ela afirmou que o passado precisava ser compreendido para evitar que seus efeitos permanecessem ameaçando a democracia no presente.
A ativista também refletia sobre o impacto da morte de pessoas envolvidas na luta democrática. Para ela, a perda de militantes representava também a perda de experiências acumuladas na construção de valores democráticos e poderia enfraquecer a capacidade coletiva de defender ideias como liberdade e justiça.
Após a morte de Amelinha, a Rede de Desenvolvimento Humano publicou uma homenagem nas redes sociais. A entidade destacou a trajetória da ativista e afirmou que sua atuação foi marcada pela coragem, pela memória e pela resistência.
A organização também ressaltou que o legado de Amelinha permanece nas lutas construídas ao longo de sua trajetória e nas pessoas que foram inspiradas por sua militância em defesa de uma sociedade mais justa.
*Com informações da Agência Brasil.
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Fonte: GGN