Esposa de Bacellar se queixa de condições do ex-deputado na prisão
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – A esposa do ex-deputado estadual do Rio Rodrigo Bacellar, Manoella Duarte, publicou nesta segunda-feira (14) um relato sobre as condições em que afirma ter encontrado o marido durante uma visita à Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.
Segundo Duarte, Bacellar está submetido a condições que considera inadequadas na unidade prisional. Entre as reclamações, ela afirma que a cela “não tem ventilador” e que o ex-deputado “toma banho com um caneco”.
A empresária também afirma que Bacellar “dorme com sabonete no corpo para os mosquitos não se aproximarem” e apresenta “marcas da algema no corpo”. De acordo com o relato, ele teria ainda enfrentado um problema de saúde no pé.
Em trecho da publicação, Duarte descreve o que diz ter constatado durante a visita realizada na última quinta-feira, após dois meses sem encontrar o marido.
“Sou uma mulher reservada. Nunca expus a minha vida pessoal e nunca imaginei que faria algo assim. Mas, na última quinta-feira, depois de dois meses sem poder ver o meu marido, o encontrei em condições que não me permitem mais permanecer calada. Eu vi Rodrigo com as marcas da algema no corpo. Ele me relatou que toma banho usando um caneco. Que não tem ventilador na cela. Que dorme com sabonete no corpo para os mosquitos não se aproximarem. Estava com o dedo do pé inflamado e me contou que, diante da dor, chegou a colocar o pé dentro da comida quente para tentar aliviar”, alega ela.
Duarte afirma ainda que, apesar de a penitenciária contar com atendimento médico, existem restrições para a entrada de medicamentos prescritos pelos profissionais que acompanham Bacellar. Segundo ela, a situação teria impactos sobre a saúde física e psicológica do marido.
A mulher do ex-deputado também afirma que ele não consegue usufruir do banho de sol porque os horários seriam divididos entre facções e milícias. Segundo Duarte, Bacellar não pertence nem teria pertencido a nenhum desses grupos.
“Por mais que a unidade disponha de atendimento médico, há restrições específicas, entre elas, a entrada dos medicamentos prescritos pelos médicos que o acompanham. Isso afeta diretamente a sua saúde física e psicológica. Não é possível ao Rodrigo usufruir nem mesmo do banho de sol, pois os horários são divididos entre facções e milícias, e meu marido não faz e nunca fez parte de nenhuma.”
Prisão de Rodrigo Bacellar
Bacellar está na Penitenciária Federal de Mossoró desde julho, após um desdobramento da operação Unha e Carne, da Polícia Federal. Antes disso, entre março e julho, ele permaneceu preso no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio.
A primeira prisão preventiva ocorreu em dezembro do ano passado, durante a primeira fase da operação. Segundo a Polícia Federal, Bacellar é suspeito de ter vazado a Operação Zargun para o então deputado TH Jóias, que foi preso em setembro sob suspeita de utilizar o mandato parlamentar para favorecer o Comando Vermelho. Conforme a investigação, o vazamento teria permitido a destruição de provas.
Ainda em dezembro, o plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro revogou a prisão preventiva de Bacellar. Ele deixou a presidência da Casa e passou a usar tornozeleira eletrônica.
No fim de março, porém, Bacellar voltou a ser preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após o Tribunal Superior Eleitoral cassar seu mandato.
“Não peço privilégio”
Na publicação, Manoella Duarte afirma que não pretende discutir o processo judicial nem as acusações contra o marido. Ela diz que sua manifestação trata das condições em que ele estaria sendo mantido.
“Não venho a público discutir o processo. Não venho falar de acusações nem de investigações. Isso é assunto da Justiça, e eu confio que a Justiça fará o seu trabalho e a verdade prevalecerá. Venho aqui falar sobre dignidade. A dignidade de uma pessoa não depende de sentença. Não depende de decisão alguma. Ela não se perde na porta de um presídio. Meu marido é um preso provisório. Não foi julgado. Não foi condenado. Mas, acima de tudo, ele é um ser humano. Nenhum ser humano deveria estar nas condições em que eu o encontrei na última quinta-feira.”
Duarte afirma que não pede tratamento privilegiado ou a libertação de Bacellar. Entre as reivindicações apresentadas por ela, estão água, ventilador e atendimento médico adequado.
“Não peço privilégio. Não peço tratamento diferenciado. Não peço, nesta nota, a sua liberdade. Peço o mínimo: água, ventilador e atendimento médico adequado à situação dele. Exatamente o que a legislação brasileira assegura a qualquer pessoa presa neste país. A qualquer uma.”
Ao final da postagem, Duarte afirma que pretende permanecer ao lado do marido e pede que ele seja tratado “como ser humano”.
“Sou esposa, mãe e avó. Passo as noites em claro pensando se ele vai aguentar. Mas ele é forte. Eu sei que vai. Tenho fé em Deus. Tenho fé na Justiça. E seguirei aqui, ao lado dele, todos os dias. Mas não posso me calar vendo ele ser tratado como se não fosse gente. Peço apenas uma coisa: que ele seja tratado como ser humano”.
Fonte: Brasil 247