Célia Xakriabá e Telma Taurepang, guerreiras indígenas em busca de vagas no Congresso, conversam com Eliane Brum

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Por Flavia CoimbraSUMAÚMA

Levantamento de SUMAÚMA encontrou 75 nomes que disputam uma vaga nas eleições de 2026 com infrações na Amazônia; entre eles estão aliados de Flávio Bolsonaro, que fizeram do ataque à fiscalização ambiental bandeira eleitoral

Nesta terceira reportagem da série, SUMAÚMA mostra a guerra entre sindicato e governo nos tribunais. Apesar de não faltar nem agentes nem investimento, muitas aldeias ficam sem assistência e crianças sem vacinas por alegação de suposta insegurança

Nos próximos meses, o risco de incêndios e secas vai aumentar a passos largos, agravado pela crise climática e pelo desmatamento. Estão sob ameaça comunidades tradicionais e produtores rurais, mas o governo também precisa levar em conta pequenos povoados remotos

Fotos: Thiago Yawanawá e Rillary Alves

Deputada e candidata à reeleição por Minas Gerais e liderança de Roraima são as convidadas do SUMAÚMA Debate: Repovoar o Congresso

A deputada federal e candidata à reeleição Célia Xakriabá e a liderança indígena Telma Taurepang são as convidadas da quarta edição do SUMAÚMA Debate: Repovoar o Congresso. Elas conversam com a diretora de redação, Eliane Brum, nesta quinta-feira, 17 de setembro, às 20 horas de Brasília, Belém e Altamira. A jornalista-floresta Soraia Joffely fará perguntas diretamente de Manaus. O programa será transmitido ao vivo pelo YouTube de SUMAÚMA.

Célia Xakriabá foi a primeira mulher indígena eleita deputada federal por Minas Gerais, recebendo mais de 100 mil votos em mais de 800 dos 853 municípios do estado. É doutora em antropologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e tem mestrado em desenvolvimento sustentável pela Universidade de Brasília. Atualmente, desenvolve pesquisa de pós-doutorado abordando as montanhas como sujeitas de direito e os danos espirituais aos territórios tradicionais na mineração de terras raras na Universidade Federal de Viçosa.

Cofundadora da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade, a Anmiga, Célia presidiu a Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados e foi relatora da Comissão Externa sobre fiscalização dos rompimentos de barragens. Em 2026, busca a reeleição pelo PSOL, partido pelo qual se elegeu quatro anos atrás. Se tiver êxito, alcançará um feito inédito – jamais um ou uma Indígena conseguiu o segundo mandato na Câmara.

Telma Taurepang é escritora, ativista, professora do ensino infantil e estudante de antropologia na Universidade Federal de Roraima. Milita, desde os 14 anos, na luta pelos direitos das mulheres indígenas. Foi a primeira mulher de seu povo, os Taurepang, a ser tuxaua (cacica) de uma aldeia. Foi coordenadora-geral da União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira e, como Célia, cofundadora da Anmiga.

Paata Maymu, como Telma é chamada na língua de seu povo, também é uma das fundadoras do Parlaíndio, primeiro Parlamento do movimento indígena brasileiro. Representou as mulheres indígenas brasileiras no II Tribunal Ético de Justiça e Direitos das Mulheres Panamazônicas e Andinas, em 2020, mesmo ano em que recebeu o prêmio Mulheres Brasileiras que Fazem a Diferença da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. A candidatura a deputada federal pela Federação Brasil da Esperança – formada por PT, PCdoB e PV – é a sua segunda tentativa de chegar ao Parlamento. Em 2022, foi anunciada como candidata a deputada federal pelo PSD, mas precisou desistir porque o PCB, pelo qual concorreu ao Senado em 2018, não havia feito a prestação de contas partidária daquela eleição.

“O Congresso atual é formado majoritariamente por predadores”, explica Eliane Brum. “São deputados e senadores financiados ou comprometidos com as forças de destruição da Floresta e de todos os biomas, que passaram e seguem passando a boiada, destruindo quase toda a legislação que protegia a Natureza e seus povos.”

Eliane prossegue: “A Floresta Amazônica e todos os biomas não suportarão mais quatro anos de um Congresso formado por predadores da Natureza. Nossas crianças precisam que votemos bem para poder sonhar com um futuro onde possam viver. SUMAÚMA fará sua parte, não apenas com reportagens de profundidade, mas também com debates de ideias. Como nossas leitoras e  leitores sabem, temos lado – e nosso lado é o da Floresta, da Natureza, da Vida”.

É no Congresso que a disputa vem sendo decidida – contra a Vida. O Legislativo nunca deteve tanto poder na história recente do país. A hipertrofia do Parlamento é fruto de uma combinação das emendas parlamentares de execução obrigatória, de bancadas que trabalham abertamente a favor de grandes grupos econômicos e de políticos, quase sempre homens, quase sempre brancos, que não se constrangem em usar a violência contra adversários – não raro, contra mulheres.

Os debates promovidos por SUMAÚMA priorizam o convite a vozes com pouco ou nenhum espaço na imprensa tradicional e com escassos recursos de campanha, com um histórico de luta justa pela Natureza e seus povos e preocupação real com o futuro das crianças de todas as espécies. Nossos debates não serão campos de batalha, mas encontros ao modo da Floresta. Haverá colaboração, troca e interdependência. Isso não significa que não possa – ou não deva – haver dissenso. A contraposição de ideias e posições é sempre desejável: é assim que elas se aperfeiçoam e novas possibilidades surgem.

As primeiras edições do debate reuniram a liderança indígena Vanda Witoto (MDB-AM) e a cientista climática Luciana Gatti (PSOL-SP), em 26 de agosto; a liderança indígena do Médio Tapajós Alessandra Munduruku (PT-PA) e o cientista Ricardo Galvão (PSB-SP), em 2 de setembro; e a ativista Neidinha Suruí (PSB-RO) e a liderança indígena cacique Ninawá Huni Kuī (PT-AC), em 9 de setembro. Todos eles podem ser (re)vistos e compartilhados no SUMAÚMA Jornalismo – YouTube.

Esteja novamente conosco – com a Natureza e pela Natureza, em nome das novas gerações – nesta quinta.

Texto: Rafael Moro Martins
Edição: Eliane Brum e Talita Bedinelli
Edição de arte: Cacao Sousa
Edição de fotografia: Lela Beltrão
Checagem: Soraia Joffely
Revisão ortográfica (português): Valquíria Della Pozza
Montagem de página e acabamento: Flávia Coimbra
Coordenação de fluxo editorial: Viviane Zandonadi
Editora-chefa: Talita Bedinelli
Diretora de redação: Eliane Brum

Ao completar 4 anos de existência, SUMAÚMA oferece o que considera o melhor presente: um tributo ao grande protagonista de quase um século de história de luta pela Amazônia e pela casa-planeta, o humano que encarna a vitória mais extraordinária dos mais de 500 anos deste país chamado Brasil

Falamos também da crise do Master e consequências, de Belo Sun e a devastação na Volta Grande do Xingu e sobre o japiim, que brilha no sextou amazônico ao lado de Darlon Neres

Terceiro encontro da série mediada por Eliane Brum reúne candidatas e candidatos dispostos a mudar a Câmara de Deputados e o Senado

O novo episódio da Rádio SUMAÚMA está nos principais tocadores e no YouTube

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Fonte: SUMAÚMA

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