Willer Tomaz e Blaze combinavam manobras para burlar regulamentação de apostas

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – O advogado Willer Tomaz e o atendimento exclusivo do cassino virtual Blaze mantinham tratativas diretas para burlar regras impostas pela legislação federal de apostas on-line no Brasil, informa Demétrio Vecchioli no Metrópoles. Os registros das conversas foram formalizados em uma ata notarial anexada ao processo movido pelo próprio advogado contra a empresa de apostas. Nos diálogos, Tomaz demonstrou preocupação com as exigências dos órgãos de fiscalização e das instituições bancárias em razão da altíssima movimentação em sua conta. “Existe alguma solução? Talvez criar uma linha de crédito para fazer uma única transação mensal? Assim como faço com os cassinos em Las Vegas. Tenho uma grande linha de crédito com cassinos como o WYNN e outros”, questionou o advogado.

Diante do pedido, o gerente dedicado ao atendimento de clientes prioritários sugeriu abertamente um caminho fora do arcabouço legal. “Você teria interesse em fazê-los por meio de criptomoedas? Dessa forma, não ficamos presos a determinados limites e podemos movimentar valores maiores por depósito e saque”, propôs o funcionário da plataforma.

Mesmo atuando como defensor da empresa encarregada da intermediação dos pagamentos no estado do Rio de Janeiro — o que inviabilizaria a alegação de desconhecimento das regras —, Tomaz concordou com a alternativa proposta. “Nós podemos tentar. Você me guia?“, respondeu ele, ignorando a norma federal que determina que todas as operações financeiras de depósitos e retiradas ocorram obrigatoriamente por transferência eletrônica entre contas cadastradas em instituições autorizadas pelo Banco Central.

A partir da adoção das novas dinâmicas, as quantias apostadas escalaram rapidamente. Em um intervalo de apenas dois minutos, entre 21h58 e 22h do dia 31 de outubro de 2025, o advogado chegou a ganhar R$ 2,5 milhões e perder o mesmo montante de forma consecutiva, realizando apostas individuais fixadas em R$ 500 mil em uma mesa virtual privativa.

Ao tentar efetuar o resgate dos ganhos acumulados, Tomaz enfrentou novas limitações operacionais. A quantia de R$ 6 milhões requisitada teve de ser fracionada e repassada pela Blaze por meio de 400 transferências instantâneas de R$ 15 mil cada — teto permitido pelo Banco Central para instituições sem autorização completa de funcionamento.

Diante do volume de recursos movimentados, dez dias depois a plataforma concedeu a Tomaz um bônus de fidelidade no valor de R$ 3 milhões. Após perder o montante em pouco tempo, o advogado recorreu novamente ao atendimento da empresa. “A semana foi uma tragédia. Veja o que você pode fazer por mim”, solicitou. Uma semana depois, ao receber um novo bônus, reclamou do valor concedido. “Só R$ 100 mil?”, questionou, sendo informado pelo atendente que já havia feito uso de outra bonificação de R$ 1,7 milhão dias antes.

As conversas revelam ainda outra irregularidade concedida ao apostador: a dispensa do reconhecimento facial para movimentação da conta, exigência central estabelecida pela regulamentação federal. O privilégio foi concedido após reclamações de Tomaz sobre a checagem de identidade nos primeiros dias do mercado regulado. “Todos os saques estão pedindo reconhecimento facial. Isso dificulta muito, amigo”, protestou ao gerente VIP.

Quando o atendente explicou que a medida era uma exigência da nova legislação, o advogado insistiu na alteração do procedimento. “Meu Deus. Então aumenta o limite para saque, para R$ 500 mil por saque. Senão irá inviabilizar o tamanho do meu jogo. Esse reconhecimento facial está demorando até um minuto”, ordenou.

Na sequência, o representante da empresa retornou com a confirmação da quebra de protocolo. “Você não vai mais ser amolado com o reconhecimento facial, então você pode fazer quantos pedidos [de saque] quiser”, garantiu o funcionário.

Documentos apresentados pela Blaze na ação judicial indicam que Tomaz movimentou cerca de R$ 10 bilhões em apostas virtuais no decorrer de 2025, alcançando o montante acumulado de R$ 13 bilhões em junho de 2026. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo negou o pedido de bloqueio de R$ 144 milhões das contas da Blaze, solicitado pelo advogado e sócio de Tomaz, Eugênio Aragão, que buscava reaver os prejuízos acumulados com os jogos.

Em sua resposta judicial, a Blaze contestou os pontos apresentados na petição inicial de Tomaz, mas não forneceu explicações sobre a oferta de transações em criptomoedas ou sobre o fracionamento sistemático dos depósitos. A reportagem informou não ter obtido retorno do apostador até o momento da publicação.

Fonte: Brasil 247

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