Willem Dafoe, aos 71 anos: “Nada me deixa mais feliz do que lavar a louça, limpar esterco de animais ou fazer tarefas simples.”
Por Carlos Emanoel Freires dos Santos — Catraca Livre
Aos 71 anos, Willem Dafoe continua trabalhando intensamente no cinema, mas diz encontrar parte de sua maior satisfação longe dos sets. Lavar a louça, cuidar dos animais e realizar tarefas simples na fazenda onde vive são atividades que o ator associa à calma, à concentração e a uma vida menos dominada pelo ritmo acelerado das cidades.
Por que Willem Dafoe gosta tanto de tarefas simples?
Dafoe explicou que atividades com começo, meio e fim claros funcionam quase como uma forma de meditação. Lavar pratos ou cumprir uma tarefa prática permite concentrar a atenção em uma sequência direta, sem a quantidade de estímulos e distrações que costuma acompanhar seu trabalho como ator.
Essa preferência não parece ser recente. Em entrevista anterior, ele já havia contado que lava a louça diariamente e que gosta desse tipo de trabalho doméstico, chegando a dizer que já trabalhou como lavador de pratos e apreciava a função.
A vida na fazenda criou uma rotina muito diferente do cinema
Além do trabalho doméstico, Dafoe mantém uma fazenda na Itália, onde cultiva alimentos e cuida de vários animais. O ator descreve essa rotina como uma oportunidade de se aproximar da natureza e acompanhar um ritmo determinado menos por compromissos urbanos e mais pelos ciclos do próprio ambiente.
- lavar a louça depois das refeições;
- alimentar e cuidar dos animais;
- limpar áreas usadas pelo rebanho;
- cultivar parte dos próprios alimentos;
- acompanhar os animais ao fim do dia.
O que ele encontra no trabalho com os animais?
Uma das tarefas favoritas do ator é recolher os animais à noite. Dafoe contou que gosta especialmente do momento em que cabras e ovelhas se aproximam para entrar no espaço onde dormem. Para ele, essa rotina simples cria uma sensação de vínculo e presença difícil de reproduzir em ambientes urbanos.
O contato com os animais também parece ter mudado sua relação com o cotidiano. Em outra entrevista, o ator explicou que a vida na fazenda o aproxima da natureza e de ciclos que existem independentemente da carreira, das filmagens ou da indústria cinematográfica.
Por que atividades repetitivas podem trazer sensação de calma?
Tarefas domésticas e manuais exigem atenção, mas normalmente não carregam a mesma pressão de atividades profissionais complexas. Quando alguém lava pratos, organiza um espaço ou cuida de animais, existe uma sequência concreta de ações que termina com um resultado visível.
É justamente esse caráter direto que Dafoe parece valorizar. Entre os aspectos presentes nesse tipo de rotina estão:
- concentração em uma tarefa por vez;
- resultado concreto e imediato;
- menor exposição a estímulos externos;
- repetição que pode criar sensação de ritmo;
- contato direto com objetos, animais e ambiente.
Essa simplicidade também influencia sua visão sobre a fama
Depois de décadas no cinema, Dafoe continua dizendo que atuar o estimula, mas procura alternar projetos e evitar uma relação excessivamente centrada no ego. A rotina fora dos sets funciona como contraponto à exposição pública e ao ritmo imprevisível da profissão.
Isso ajuda a explicar por que tarefas consideradas banais ocupam tanto espaço em sua vida. Em vez de buscar apenas experiências extraordinárias, o ator encontra valor em atividades que se repetem e exigem pouca performance diante dos outros.
Para Dafoe, felicidade também está no que acontece todos os dias
A relação de Willem Dafoe com as tarefas simples mostra uma faceta bem diferente da imagem associada aos grandes filmes e personagens intensos de sua carreira. Na fazenda, lavar louça ou limpar depois dos animais não são obrigações menores, mas momentos em que ele consegue desacelerar e prestar atenção no que está fazendo.
O que parece importar para o ator é justamente a ausência de grandiosidade. Entre filmagens, viagens e compromissos, atividades domésticas e rurais oferecem uma rotina previsível e concreta. Aos 71 anos, Dafoe continua encontrando prazer no cinema, mas também demonstra que parte de sua felicidade vem de algo muito menos espetacular: terminar uma tarefa simples e seguir para a próxima.
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Fonte: Catraca Livre