‘Você tem sido uma luz’, diz prefeito de Nova York a Lula
Por Leonardo Miazzo — Carta Capital
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Às vésperas da Assembleia da ONU, Mamdani afirmou que o presidente é uma inspiração na defesa de trabalhadores abandonados pela política
Nova York — Zohran Mamdani quis se encontrar com Lula. O dado, por si só, ajuda a explicar o peso simbólico da reunião desta segunda-feira 21, em Nova York. Aos 34 anos, o prefeito da maior cidade dos Estados Unidos esteve com o presidente na residência da embaixada brasileira, no momento em que tenta projetar uma agenda municipal de enfrentamento ao alto custo de vida, à precarização do trabalho e às desigualdades urbanas — uma pauta que encontra no petista uma referência política.
O encontro ocorreu como parte da agenda de Lula em Nova York, antes da abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas , que acontece nesta terça-feira 22. A reunião foi solicitada por Mamdani, que também cumpre uma série de compromissos com lideranças estrangeiras durante a semana da ONU, em uma estratégia de aproximação com políticos de perfil progressista de outros países. No encontro, Lula convidou o prefeito a visitar o Brasil.
O diálogo expôs uma convergência política que vai além das formalidades diplomáticas. Lula relatou sua surpresa ao se deparar com a face invisibilizada da metrópole mais famosa do mundo. “Eu não sabia que Nova York tem esse problema social, que tem essa cidade de invisíveis”, afirmou. O presidente perguntou a Mamdani qual seria o principal problema da cidade e recebeu uma resposta direta: o custo de vida. “Vivemos na cidade mais cara da América, a terceira cidade mais cara do mundo, e um em cada quatro nova-iorquinos vive na pobreza”, declarou o democrata.
Lula e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, durante encontro em 21 de setembro de 2026, em Nova York. Foto: Ricardo Stuckert
Segundo o prefeito, a crise de acessibilidade econômica não é apenas uma estatística urbana, mas o eixo que organiza a vida de milhões de trabalhadores deixados para trás pela política tradicional.
Mamdani quis saber das experiências do governo brasileiro e disse que muitos nova-iorquinos se inspiram no presidente brasileiro pela forma como ele defende trabalhadores abandonados pela política. “Você tem sido uma luz para tantos de nós”, disse o prefeito ao petista.
Lula pediu que Mamdani não se afaste do discurso com o qual venceu as eleições e afirmou que sua juventude “deve ser convertida em compromisso duradouro contra a pobreza e a invisibilidade impostas aos mais pobres”.
A afinidade política foi selada também por uma troca de presentes carregada de simbolismo. Lula entregou a Mamdani uma camisa do Corinthians, time de coração do presidente, e o prefeito retribuiu com uma das camisas criadas pela prefeitura para a Copa do Mundo de 2026: o modelo amarelo e preto, estampado com “New York City”.
Não era um souvenir qualquer. A peça integra uma coleção limitada de uniformes inspirados na cidade, desenhada pelo ilustrador nova-iorquino Arsh Raziuddin e produzida à mão, no Brooklyn, pela Mazzi Sports, empresa familiar instalada em Bedford-Stuyvesant desde 1986. As peças foram vendidas a preço de custo, cerca de 50 dólares, como alternativa aos produtos oficiais, muito mais caros. As primeiras 1.500 unidades, distribuídas em três combinações de cores, se esgotaram em menos de uma hora. Nas reposições posteriores, os lotes também desapareceram em minutos. Entre os dois presentes, uma mesma ideia de política: aproximar símbolos populares, trabalho local e combate à desigualdade.
Clarissa Carvalhaes
Colaboradora correspondente de ‘CartaCapital’ em Nova York
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Fonte: Carta Capital