Lula diz que Trump de ‘age como imperador’ e não descarta aplicar reciprocidade após tarifaço
Por Gabriel Andrade — Carta Capital
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O presidente afirmou que o tarifaço contra os produtos brasileiros foi baseado em mentiras
O presidente Lula (PT) voltou a dizer que o seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, age como um ‘imperador’ ao tentar forçar outras nações a seguir os seus desmandos. Além disso, o presidente afirmou que o tarifaço contra os produtos brasileiros foi baseado em mentiras.
“É uma forma de governar com a qual não concordo. Ele tem um jeito de governar baseado em ‘sou o mais forte, sou o mais poderoso, sou o mais rico, posso tudo, e todos os outros têm que obedecer’. É a lei do mais forte”, disse Lula em entrevista ao canal CNN.
Lula ainda afirmou que não descarta medidas de reciprocidade contra produtos dos EUA. “Acredito na negociação. Farei todo esforço. Temos que pensar em como vamos, quais os produtos que vamos colocar na lista de reciprocidade”, completou.
Em junho deste ano, ao comentar o tarifaço, Lula já tinha classificado Trump como ditador. À época, Lula disse que Trump “fala muito e ouve pouco”. “Entreguei por escrito [documento sobre o combate ao crime organizado], porque eu não quero só falar. Porque o presidente Trump fala muito e ouve pouco”.
A declaração desta segunda-feira acontece na véspera do discurso de Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU. Conforme mostrou CartaCapital, o presidente deve reforçar a defesa da democracia e da soberania brasileira, mas sem fazer uma acusação direta aos Estados Unidos por interferência na eleição de 2026.
A orientação em discussão no Palácio do Planalto é evitar que o discurso seja transformado em uma resposta específica ao governo Donald Trump. A estratégia é tratar democracia, soberania e respeito às instituições como princípios gerais da política externa brasileira, permitindo que a mensagem sobre a eleição seja compreendida sem que os Estados Unidos sejam citados nominalmente.
O discurso será a décima participação de Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU. A tradição brasileira de abrir o Debate Geral é mantida desde 1955. Neste ano, a sessão começa em 22 de setembro, em Nova York.
Gabriel Andrade
Editor do site de CartaCapital
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Fonte: Carta Capital