Vereadora do Recife aciona PF para investigar grupos bolsonaristas que ameaçaram a UFPE

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Por Hora do Povo — Hora do Povo

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A vereadora do Recife Jô Cavalcanti (PSOL) acionou a Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (8) para pedir a investigação de ameaças contra a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) divulgadas em grupos de WhatsApp. Um dos grupos tinha o número de telefone associado ao vereador e deputado federal eleito Thiago Medina (PL-PE) entre os administradores. A iniciativa ocorre após um incêndio de grandes proporções atingir instalações da universidade na noite de quarta-feira (7). Até o momento, não há comprovação de relação entre as mensagens e o incêndio.

Na notícia de fato encaminhada à Superintendência Regional da PF em Pernambuco, Jô pede a análise das capturas de tela e de outros materiais, a realização de perícia cibernética e a convocação dos envolvidos, incluindo Medina, para prestar esclarecimentos.

“A presença de um parlamentar em um ambiente onde circulam ameaças dessa gravidade exige investigação sobre sua participação, seu conhecimento das mensagens e a administração do grupo. Estamos falando de ameaças gravíssimas contra uma universidade federal e de um parlamentar eleito aparecendo na administração de um grupo onde esse tipo de conteúdo circula. Isso precisa ser investigado com rigor”, afirmou a vereadora.

As mensagens vieram a público após o incêndio que atingiu a Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da UFPE, no Campus Recife. Em conversas divulgadas pelo portal Fala News, um participante do grupo “UNINASSAU BV ANTI-LULA” escreveu que tinha “bombas na mala do carro”. O número associado a Medina também aparece, segundo as publicações, entre os administradores do grupo “UFPE ANTI-LULA”.

Se grupos anti-Lula já estão organizados ameaçando estudantes e a violência política chegou a esse ponto em plena disputa eleitoral, imagine o que pode acontecer com uma possível eleição de Flávio Bolsonaro. É um cenário que me preocupa profundamente. Mais do que nunca,… pic.twitter.com/aYMcfQqtPZ

— Jô Cavalcanti (@jocavalcantipe) October 8, 2026

A divulgação dos registros suscitou questionamentos sobre uma possível ligação entre as ameaças e os incêndios registrados recentemente no campus. A relação, porém, não foi comprovada, assim como não há evidências apresentadas publicamente de que Medina tenha participado de qualquer ação criminosa até o momento.

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) condenou as ameaças e a intolerância política. “É assustador ver denúncias de ameaças tão graves contra uma universidade pública e pessoas que pensam diferente. Racismo, intolerância e violência política não podem ser normalizados”, declarou.

Em outra manifestação, Gleisi cobrou apuração e responsabilização dos envolvidos: “Tudo precisa ser investigado com rigor, com responsabilização de quem tiver cometido crimes. É isso que os aliados de Flávio querem fazer com a educação do Brasil. Não vamos permitir.”

O senador reeleito Humberto Costa (PT-PE) também acionou autoridades federais para exigir uma investigação sobre o incêndio. Nesta quinta-feira, ele encaminhou ofícios à Polícia Federal, à Controladoria-Geral da União (CGU), à Advocacia-Geral da União (AGU) e ao Ministério Público Federal (MPF), pedindo apuração imediata e rigorosa. Costa também conversou com o reitor da UFPE, Alfredo Gomes.

O senador classificou o episódio como grave e lamentável e defendeu que todas as hipóteses sejam examinadas, inclusive a possibilidade de ação criminosa. A estimativa inicial é de que os prejuízos materiais ultrapassem R$ 100 milhões, além dos danos à pesquisa científica e ao trabalho desenvolvido por pesquisadores da universidade.

“O fogo ocorreu horas após estudantes receberem ameaças de ataque à universidade, e um dia após milhares de pessoas da comunidade universitária irem às ruas em defesa da democracia. Investigações estão em andamento, mas a sequência dos fatos exige atenção. Não podemos permitir que ameaças e violência intimidem estudantes, professores e funcionários que se levantam contra o avanço do fascismo e em defesa da democracia”, ressaltou o parlamentar.

Em entrevista à CNN Brasil nesta quinta-feira (8), Medina negou qualquer envolvimento da extrema-direita no incêndio e rejeitou a associação entre a criação dos grupos de WhatsApp e o episódio na UFPE. Ele afirmou que organizou grupos para reunir universitários contrários ao governo federal e disse que o Diretório Central dos Estudantes (DCE) teria atribuído o incêndio a um aparelho de ar-condicionado antigo. As causas do fogo ainda são desconhecidas.

O caso também traz à tona as denúncias de racismo e misoginia feitas por Jô Cavalcanti contra Medina. Em setembro, durante uma sessão na Câmara Municipal do Recife, o vereador comentou um protesto de mulheres negras que foram à Casa Legislativa manifestar solidariedade à vereadora. Ao se referir ao ato, declarou: “Eu fiquei com mais medo do odor de quando eu cheguei do que com as falas que estavam sendo proferidas ali”.

A declaração de Medina foi um ataque racista às mulheres negras que participavam do protesto em solidariedade a Jô Cavalcanti. Em sua fala, o vereador associou a presença das manifestantes a um suposto mau cheiro, numa manifestação de racismo que provocou a reação da parlamentar. Na ocasião, Jô afirmou que o vereador havia usado a tribuna para dizer que mulheres negras “fedem” e denunciou a violência política dirigida ao seu mandato.

A parlamentar, única mulher negra da atual legislatura da Câmara do Recife, acusa Medina de perseguição política e de ataques racistas, misóginos e de intolerância religiosa. Seu mandato apresentou representações contra o vereador na Comissão de Ética da Câmara e no Ministério Público de Pernambuco. As denúncias se somam à cobrança por investigação das ameaças dirigidas à UFPE, instituição pública de ensino e pesquisa atingida pelo incêndio.

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Fonte: Hora do Povo

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