Trump se reúne pela primeira vez com Delcy Rodríguez após captura de Maduro

0

Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu-se com a presidente venezuelana Delcy Rodríguez durante uma recepção à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, naquele que foi o primeiro encontro entre os dois desde a captura de Nicolás Maduro. As informações são da agência Reuters.

A reunião ocorreu durante a primeira viagem de Rodríguez aos Estados Unidos desde que assumiu o comando da Venezuela. A dirigente venezuelana está em Nova York para participar da Assembleia Geral e tem discurso previsto para quarta-feira (23).

O encontro representa mais um movimento na reconfiguração das relações entre Washington e Caracas. Embora Trump mantenha críticas ao chavismo e tenha classificado Maduro como um “ditador fora da lei”, os dois governos avançam simultaneamente em negociações de grande alcance econômico, sobretudo no setor energético.

Petróleo no centro das negociações

Segundo a Reuters, a delegação venezuelana levou a Nova York autoridades responsáveis pelas áreas de energia e petróleo. As conversas com representantes americanos e instituições multilaterais abrangem petróleo, mineração, dívida e formas de ampliar os investimentos externos no país.

A estratégia de Caracas é tornar a Venezuela novamente “investível”, de acordo com fontes ouvidas pela agência. Entre os projetos discutidos está a possibilidade de obtenção de um empréstimo de US$ 2,5 bilhões junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), embora a iniciativa enfrente resistência de alguns integrantes da instituição.

O petróleo ocupa posição central nessa aproximação. Trump já anunciou um acordo com Caracas que classificou como “um dos maiores já feitos” e manifestou interesse em atrair cerca de US$ 100 bilhões em investimentos para a indústria petrolífera venezuelana.

A Venezuela possui algumas das maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, o que torna a recuperação de sua capacidade produtiva uma questão estratégica tanto para Caracas quanto para empresas e interesses econômicos americanos.

Trump combina críticas e aproximação

A política adotada por Trump combina críticas ao antigo governo de Maduro com uma crescente aproximação econômica com as novas autoridades venezuelanas.

O presidente americano tem destacado a libertação de presos políticos como um dos resultados das mudanças ocorridas no país e, ao mesmo tempo, demonstra interesse em ampliar a presença de empresas americanas no setor energético venezuelano.

Rodríguez, por sua vez, busca reconstruir as relações externas da Venezuela e atrair capital para uma economia que enfrentou anos de sanções, dificuldades de financiamento e redução dos investimentos.

Sua trajetória política, porém, continua sendo objeto de críticas. Rodríguez integrou durante mais de duas décadas o núcleo de poder chavista e ocupou postos importantes durante o governo Maduro.

Protestos em Nova York

A presença da dirigente venezuelana nos Estados Unidos também provocou manifestações. Segundo a Reuters, mais de 50 pessoas protestaram em Nova York para exigir eleições livres na Venezuela.

Manifestantes exibiram cartazes com a mensagem “Sem voto, sem petróleo”, numa tentativa de vincular a normalização das relações econômicas com Washington à realização de eleições e à abertura política no país.

Críticos de Rodríguez também destacaram sua longa participação no governo chavista e cobraram que a aproximação econômica promovida por Trump não deixe em segundo plano as questões políticas venezuelanas.

A expectativa é que o tema eleitoral apareça durante a passagem da presidente venezuelana por Nova York, ao mesmo tempo em que sua equipe mantém as negociações econômicas com Washington.

O primeiro encontro entre Trump e Rodríguez simboliza, assim, a nova etapa da relação entre Estados Unidos e Venezuela: depois de anos de confronto e da captura de Maduro, Washington e Caracas procuram agora construir uma relação na qual petróleo, investimentos e interesses econômicos ocupam posição central, enquanto as condições políticas internas venezuelanas continuam sendo objeto de disputa.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *