Trump anuncia cessar-fogo energético entre Rússia e Ucrânia, mas as partes não confirmam
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (11) que Rússia e Ucrânia haviam concordado em interromper imediatamente os ataques contra instalações energéticas.
Segundo a Reuters, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que aguardava detalhes da proposta americana e relatou a continuidade dos bombardeios russos. Moscou não havia se manifestado sobre o suposto acordo até a publicação da reportagem.
A declaração ocorreu após dias de pressão de Washington para que Kiev suspendesse os ataques a refinarias russas. Trump atribui a essas operações parte do aumento dos preços do diesel, que se tornou um problema político para o Partido Republicano às vésperas das eleições legislativas americanas de novembro.
“Com efeito imediato, está em vigor um cessar-fogo energético na guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Ambas as partes concordaram. Não o quebrem!”, escreveu o presidente americano na plataforma Truth Social, sem apresentar as condições do entendimento ou explicar como seria implementado.
Zelensky declarou apoio à interrupção dos ataques, mas ressaltou que a Rússia também precisaria aderir. O presidente ucraniano discutiu o anúncio com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e o presidente da Finlândia, Alexander Stubb.
“A Ucrânia apoia o cessar-fogo, e é importante que a Rússia também o apoie. Estamos aguardando detalhes do lado americano”, afirmou no Telegram.
Em seu pronunciamento noturno, Zelensky disse que as forças russas continuavam atacando a infraestrutura energética ucraniana. Entre os alvos estava uma usina de geração de eletricidade e aquecimento em Kharkiv, a segunda maior cidade do país. Uma autoridade ucraniana confirmou à Reuters que o ataque ocorreu depois do anúncio de Trump.
Horas antes, Zelensky havia reafirmado que aceitaria suspender as operações contra refinarias russas apenas se o presidente da Rússia, Vladimir Putin, interrompesse os bombardeios contra o sistema elétrico da Ucrânia.
A pressão americana incluiu ameaças de suspensão do compartilhamento de informações de inteligência e das compras de armas pelo mecanismo conhecido pela sigla PURL, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto ouvida pela Reuters. As ameaças haviam sido noticiadas anteriormente pelo jornal Financial Times.
A mesma pessoa afirmou que Zelensky conversava com líderes europeus sobre formas de reduzir a tensão com Trump.
O anúncio também ocorre em meio ao agravamento das divergências públicas entre os dois presidentes. No sábado, Trump disse que Zelensky “deveria parar imediatamente” de atacar refinarias russas, acusou o líder ucraniano de desperdiçar oportunidades de entendimento com Moscou e defendeu que os ucranianos escolhessem um novo governante em eleições.
Zelensky respondeu que a escolha do presidente cabe aos cidadãos de seu país e condicionou a realização de uma votação a uma trégua completa de dois meses. As eleições estão suspensas desde a invasão russa de 2022, e a legislação ucraniana impede sua realização durante a lei marcial por razões de segurança.
“Por favor, diga a Putin: dê-nos dois meses, 60 dias de cessar-fogo total, 60 dias, e organizaremos eleições”, declarou.
O presidente ucraniano também rejeitou a responsabilização pelos preços dos combustíveis. Para ele, a guerra no Oriente Médio tem um peso maior na alta global. A Reuters registra que os preços do diesel subiram fortemente após o início da guerra no Irã, em fevereiro.
O encarecimento do combustível representa um desgaste para os republicanos na disputa de novembro, quando os democratas poderão conquistar o controle de uma ou das duas casas do Congresso americano.
A crise entre Washington e Kiev ganhou outro componente com o anúncio de um acordo para fornecimento de diesel russo. Pelos termos apresentados por Trump na sexta-feira, a Rússia enviaria imediatamente mais de 300 mil toneladas do combustível aos mercados americano e global, volume equivalente a aproximadamente 2,25 milhões de barris. Como comparação, os Estados Unidos exportam cerca de 1,5 milhão de barris de diesel por dia.
Zelensky criticou o acordo no sábado e afirmou que a iniciativa estimularia novos ataques de Moscou contra a Ucrânia, com mais mortes. Parlamentares americanos também contestaram a medida. O senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, disse que o entendimento pode ser ilegal e colocar vidas americanas em risco.
A proposta de Trump para a substituição do presidente ucraniano provocou reações nas ruas de Kiev. Sabina, professora do ensino fundamental de 40 anos entrevistada pela Reuters, criticou a interferência americana.
“Ninguém tem o direito de nos dizer o que fazer, especialmente porque não é possível realizar eleições durante a guerra”, afirmou. “Na minha opinião, é uma traição dos nossos parceiros.”
Trump já havia anunciado um cessar-fogo energético entre Rússia e Ucrânia em meados de setembro. Na ocasião, nenhum dos dois países confirmou a existência de um acordo.
Fonte: Brasil 247