Submisso ao FMI, Rodrigo Paz gera crise na Bolívia que eleva custo de combustíveis em até 160%

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Por Hora do Povo — Hora do Povo

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Fim de subsídios, câmbio flutuante e empréstimo de US$ 1,9 bilhão do Fundo Monetário Internacional encarecem a vida, acirram o conflito social e mantêm o país sob estado de exceção

Menos de um ano após assumir a presidência da Bolívia, Rodrigo Paz  volta a submeter o país ao pervertido receituário do Fundo Monetário Internacional (FMI): corte de subsídios, desregulamentação e abertura ao capital estrangeiro. O resultado é um país cada dia mais caro, mais conflagrado e sob repressão policialesca.

O primeiro golpe veio em dezembro de 2025, com a imposição do Decreto 5503, que levou a aumentos de até 160% nos preços da gasolina e do diesel, encarecendo o transporte e os produtos básicos. A alta dos preços levou a Central Operária Boliviana (COB), camponeses e mineiros a irem às ruas, denunciando que por décadas, com o Movimento ao Socialismo, do ex-presidente Evo Morales, o país não havia voltado do FMI.

Entre maio e junho, bloqueios e protestos isolaram La Paz, El Alto e Cochabamba, com confrontos que somaram ao menos 17 mortos e 365 detidos. Em 20 de junho, Rodrigo Paz decretou “Estado de exceção” por 90 dias, com militares se somando à polícia na repressão indiscriminada. Dominado pela direita, o Congresso o prorrogou em 17 de setembro, até 17 de dezembro.

UM GOVERNO SERVIÇAL TURBINADO POR TRUMP E MARCO RUBIO

Estimulado por Trump e Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, o governo aprofundou o ajuste neoliberal. Encerrou, em 29 de junho, 15 anos de paridade do boliviano com o dólar e fechou com o FMI um programa trienal de US$ 1,9 bilhão. O Congresso o aprovou em setembro, e Paz se comprometeu a acabar com o subsídio aos combustíveis e a “reduzir o déficit fiscal” – leia-se cortes nos recursos orçamentários da saúde, educação e infraestrutura, para sobrar mais para o sistema financeiro.

Como dizem os bolivianos, “rapidamente a conta chegou”. Com o fim do subsídio ao diesel, o litro passou de Bs 9,80 para Bs 17,95, alta de 83%, e as passagens de ônibus intermunicipais subiram até 125%.

Diante da tragédia iminente, a COB convocou assembleia de emergência, e os sindicatos de motoristas planejam reação. A agenda segue com uma nova lei de eletricidade que abre o setor à privatização/desnacionalização e uma reforma da mineração para atrair capital estrangeiro, com os EUA mobilizados para abocanhar principalmente o lítio – estratégico para as novas tecnologias e abundante na Bolívia.

“O roteiro é mais do que manjado na América Latina: o Fundo libera os dólares, o povo paga a conta e a soberania econômica se esvai pelo ralo. Nosso país é extremamente rico em gás, lítio e minerais. Portanto, quanto maior a dívida, maior o poder dos credores para ditar as regras”, denuncia o pesquisador e cientista social Porfirio Cochi.

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Fonte: Hora do Povo

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