Setor de serviços varia -0,1% em agosto e se mantém 19,9% acima do nível pré-pandemia
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O volume de serviços no Brasil apresentou uma variação negativa de 0,1% em agosto de 2026 na comparação com julho, considerando a série com ajuste sazonal, informa a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar do discreto recuo, o setor permanece em patamar elevado, situando-se 19,9% acima do nível registrado no período pré-pandemia, em fevereiro de 2020, e apenas 0,3% abaixo do ponto mais alto de sua série histórica, alcançado em outubro de 2025. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador avançou 0,6%, registrando o seu 29º resultado positivo consecutivo nessa métrica. Com esse desempenho, o acumulado no ano atingiu alta de 1,7% ante igual período de 2025, enquanto a taxa acumulada nos últimos doze meses ficou em 2,2%, sinalizando uma desaceleração frente aos 2,4% observados até julho.
A oscilação de -0,1% na passagem de julho para agosto foi acompanhada por três das cinco atividades pesquisadas: outros serviços (-1,0%); transportes (-0,2%); e serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,2%). Esses recuos eliminaram, de forma integral ou parcial, os ganhos obtidos por essas atividades no mês anterior. Por outro lado, os serviços prestados às famílias registraram expansão de 2,1%, marcando o segundo avanço consecutivo e acumulando ganho de 2,9% no período. O segmento de informação e comunicação demonstrou estabilidade (0,0%). Na média móvel trimestral, o volume total de serviços ficou estável (0,0%) no trimestre encerrado em agosto em relação ao trimestre imediatamente anterior. Nessa leitura, apresentaram recuo as atividades de outros serviços (-0,6%), profissionais, administrativos e complementares (-0,3%) e informação e comunicação (-0,2%), enquanto serviços prestados às famílias (0,5%) e transportes (0,1%) registraram os únicos avanços.
No confronto com agosto do ano passado, a alta de 0,6% do setor de serviços foi sustentada por três das cinco atividades de divulgação e por 44,6% dos 166 tipos de serviços investigados. O setor de informação e comunicação (4,3%) liderou os impactos positivos, impulsionado pelo crescimento das receitas nos segmentos de telecomunicações; tratamento de dados, provedores de serviços de aplicação e hospedagem na internet; exibição cinematográfica; desenvolvimento de programas de computador sob encomenda; gravação de som e edição de música; e consultoria em tecnologia da informação. Os demais desempenhos positivos vieram dos serviços prestados às famílias (4,4%) e dos serviços profissionais, administrativos e complementares (1,7%), alavancados por restaurantes, catering e bufês no primeiro grupo, e por locação de automóveis, engenharia, agenciamento de publicidade, vigilância privada e intermediação de negócios via plataformas e e-commerce no segundo.
Em contrapartida, as pressões negativas na comparação anual vieram dos setores de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-2,8%) e de outros serviços (-2,5%). Essas quedas foram motivadas pela redução de receitas do transporte aéreo de passageiros, rodoviário de cargas, logística de transporte de cargas, ferroviário de cargas e serviços postais, além do recuo observado em serviços financeiros auxiliares.
No acumulado do ano, a expansão de 1,7% frente ao mesmo período do ano anterior refletiu altas em três das cinco atividades e em 49,4% dos 166 tipos de serviços pesquisados. Novamente, informação e comunicação liderou as contribuições positivas com crescimento de 6,2%, impulsionado por telecomunicações, hospedagem e tratamento de dados, consultoria em TI, portais e provedores de conteúdo, programas sob encomenda e TV aberta. Os serviços profissionais, administrativos e complementares cresceram 2,4%, impulsionados por publicidade, plataformas digitais, atividades jurídicas, locação de veículos, vigilância e limpeza. O segmento de serviços prestados às famílias também avançou 2,4%, sustentado por restaurantes e serviços de alimentação preparada. Em sentido oposto, registraram retração os segmentos de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-1,5%) e outros serviços (-0,3%), impactados pelo transporte aéreo de passageiros, logística de cargas, correios, gestão de portos e terminais, e serviços financeiros auxiliares.
Sob a perspectiva regional, 12 das 27 unidades da federação assinalaram retração no volume de serviços na passagem de julho para agosto, acompanhando a variação negativa nacional. Os recuos mais expressivos ocorreram na Bahia (-4,8%), Espírito Santo (-4,5%), Ceará (-3,1%), Mato Grosso (-2,3%) e São Paulo (-0,1%). Em contrapartida, as principais contribuições positivas do mês vieram do Distrito Federal (3,7%), Paraná (1,0%), Minas Gerais (0,8%) e Rio de Janeiro (0,5%).
Na comparação com agosto de 2025, 11 das 27 unidades da federação apresentaram expansão no indicador. O impacto positivo mais relevante foi registrado em São Paulo (0,9%), seguido por Distrito Federal (9,0%), Bahia (8,3%), Minas Gerais (2,5%) e Rio de Janeiro (1,4%). As maiores perdas foram observadas em Mato Grosso (-8,3%), Ceará (-8,0%), Mato Grosso do Sul (-6,9%) e Goiás (-4,5%). No acumulado do ano, 15 das 27 UFs mostraram avanço na receita real, com destaque para São Paulo (3,1%), Distrito Federal (9,1%), Bahia (4,0%), Santa Catarina (1,3%), Mato Grosso (0,8%) e Rio de Janeiro (0,6%). Já Ceará (-4,8%), Amazonas (-4,4%), Mato Grosso do Sul (-2,3%) e Goiás (-1,8%) lideraram as influências negativas no índice acumulado nacional.
O índice de atividades turísticas apontou alta de 2,5% em agosto frente a julho de 2026, engatando o segundo resultado positivo consecutivo e acumulando um ganho de 5,5% no período. Com este avanço, o segmento turístico figura 12,4% acima do patamar pré-pandemia e 1,1% abaixo do ápice de sua série histórica, registrado em dezembro de 2024. A expansão mensal do turismo foi acompanhada por 14 dos 17 locais pesquisados, impulsionada principalmente por São Paulo (3,5%), Minas Gerais (3,2%) e Rio de Janeiro (2,0%), enquanto a Bahia (-12,3%) registrou a principal queda.
Frente a agosto de 2025, o volume de atividades turísticas cresceu 0,9%, interrompendo uma sequência de cinco taxas negativas consecutivas. O avanço refletiu o aumento de receita de empresas nos ramos de restaurantes, locação de automóveis e serviços de bufê, com expansão verificada em 10 dos 17 locais pesquisados. Destacaram-se no período o Rio de Janeiro (4,5%), Bahia (10,4%), Minas Gerais (6,6%), Rio Grande do Sul (6,1%) e São Paulo (1,1%). Os impactos negativos mais intensos foram registrados no Amazonas (-15,0%), Pará (-14,0%), Pernambuco (-10,2%), Ceará (-8,5%), Paraná (-7,4%) e Distrito Federal (-7,3%). No acumulado do ano, contudo, o agregado de atividades turísticas apresenta recuo de 0,8%, pressionado pelo menor faturamento das empresas de transporte aéreo de passageiros e do setor hoteleiro, com perdas em 10 das 17 localidades, lideradas por Ceará (-8,5%), Pernambuco (-8,2%), Paraná (-5,9%), Minas Gerais (-3,0%) e São Paulo (-1,1%), ante ganhos na Bahia (7,4%) e no Rio de Janeiro (4,9%).
Por fim, a movimentação de transportes apresentou desempenhos divergentes em agosto de 2026. O transporte de passageiros registrou ligeiro ganho de 0,1% frente a julho, acumulando 3,0% em dois meses consecutivos de alta; o segmento se situa 1,8% acima do patamar de fevereiro de 2020 e 21,9% abaixo do pico histórico alcançado em fevereiro de 2014. Já o transporte de cargas recuou 0,9% no mês, após subir 0,9% em julho, posicionando-se 5,8% abaixo de seu ápice histórico (julho de 2023) e 35,9% acima do nível pré-pandemia. Na comparação anual, sem ajuste sazonal, o transporte de passageiros caiu 6,3% — a quinta taxa negativa seguida —, e o de cargas encolheu 1,9%. No acumulado do ano, o transporte de passageiros acumula retração de 3,9%, ao passo que o transporte de cargas mantém estabilidade (0,0%).
Fonte: Brasil 247