Secretários do MEC sob Jair Bolsonaro declaram apoio à reeleição de Lula
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – Três ex-secretários do Ministério da Educação (MEC) durante o governo Jair Bolsonaro (PL) divulgaram um manifesto em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento critica propostas apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, para a área da educação.
Alexandro Ferreira de Souza, Marco Antônio Barroso Faria e Bernardo Goytacazes de Araújo ocuparam cargos no MEC durante a gestão do ministro Ricardo Vélez Rodrigues, que comandou a pasta nos primeiros meses do governo Bolsonaro.
No manifesto, os três afirmam que há uma diferença entre os projetos educacionais apresentados nas eleições de 2026. O texto declara “apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva” e critica propostas atribuídas à campanha de Flávio Bolsonaro.
Entre os pontos questionados estão a militarização de escolas, métodos considerados restritivos de ensino e uma concepção da educação voltada às necessidades imediatas do mercado de trabalho.
“Entre um projeto que reafirma a educação pública como direito, política de Estado e instrumento de justiça social, e outro que subordina a escola à suspeição ideológica, à disciplina autoritária e à lógica estreita do mercado, nossa escolha é inequívoca”, afirma o documento.
Ex-secretários ocuparam cargos no início do governo Bolsonaro
Alexandro Ferreira de Souza comandou a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec). Marco Antônio Barroso Faria esteve à frente da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres), enquanto Bernardo Goytacazes de Araújo ocupou a Secretaria de Modalidades Especializadas.
A Secretaria de Modalidades Especializadas havia sido criada no início do governo Bolsonaro em substituição à Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi). A estrutura foi posteriormente restabelecida no atual governo.
Os três chegaram ao MEC por indicação pessoal de Vélez Rodrigues, de quem foram alunos na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). O colombiano radicado no Brasil foi o primeiro dos quatro ministros que passaram pela pasta durante o governo Bolsonaro.
Vélez assumiu o MEC em janeiro de 2019 e deixou o cargo no início de abril daquele ano.
Manifesto critica plano para educação
Segundo o documento, a proposta de Flávio Bolsonaro coloca a política educacional sob uma lógica de combate à suposta doutrinação ideológica, disciplina rígida e adaptação às demandas do mercado de trabalho.
Os autores também apontam ausência de compromissos com questões estruturais da educação, como valorização salarial e carreira dos professores, financiamento considerado equitativo, infraestrutura escolar e participação social.
“O documento reedita e intensifica a concepção que marcou o governo de Jair Bolsonaro: decisões centralizadas, frágil coordenação entre entes federados, suspeição sobre docentes, redução da formação à empregabilidade imediata, militarização como resposta à convivência escolar e ausência de compromissos concretos com carreira, inclusão, financiamento, infraestrutura e participação social”, afirma o manifesto.
Na área de Educação Profissional e Tecnológica, os ex-secretários criticam a ausência de compromissos com a Rede Federal de Institutos. O texto também questiona a proposta de direcionar recursos de agências de fomento à pesquisa, como Capes e CNPq, para iniciativas relacionadas ao impacto produtivo.
Fonte: Brasil 247