Saiba por que rejeito o bolsonarismo e o trumpismo, mesmo não sendo lulopetista
Por Redação — Jornal Opção

Djalba Lima
De Brasília
Não sou petista nem lulista. Também não preciso de rótulos para reconhecer o valor de uma política pública ou defender o governo quando considero que ele acertou.
Minha posição não cabe na obrigação, hoje tão comum, de escolher um lado e aplaudir tudo o que ele faz.
Rejeito fortemente o bolsonarismo. Vejo nele um movimento que transformou a devoção a um líder em critério de verdade e a hostilidade ao adversário em método político.
O que me importa é o respeito às instituições, aos fatos e às pessoas — valores que trumpistas e bolsonaristas desconhecem
Rejeito Donald Trump e a reverência que a família Bolsonaro e seus seguidores lhe devotam no Brasil. Isso não significa que eu tenha algo contra a direita. Já votei, ou poderia votar, em nomes de uma direita democrática e esclarecida.
O que me importa é o respeito às instituições, aos fatos e às pessoas – valores que trumpistas e bolsonaristas desconhecem.

Creio que uma das tarefas mais urgentes do Brasil é enfrentar a desigualdade. Ela condena pessoas talentosas a viver à margem e priva o país daquilo que poderiam criar, ensinar, produzir e descobrir. Não sei quantos escritores, médicos, cientistas ou empreendedores perdemos porque uma criança precisou abandonar a escola, cresceu com fome ou jamais teve uma oportunidade.
A dimensão desse bloqueio aparece nos estudos. A OCDE estimou que, nas condições observadas, os descendentes de uma família pobre no Brasil poderiam levar nove gerações ou mais para alcançar a renda média. Não se trata de dizer que ninguém consegue ascender. Trata-se de reconhecer que, para milhões de pessoas, a escada é longa demais. Ou que o elevador da ascensão está seriamente danificado…
Um maiores desafios do governo do presidente Lula da Silva: proteger quem precisa agora e ampliar suas possibilidades para amanhã
Por isso defendo programas de inclusão e transferência de renda. Os números mostram sua importância: segundo o IBGE, a extrema pobreza atingia 3,5% dos brasileiros em 2024; num cálculo sem os rendimentos dos programas sociais, atingiria 10,0%. Há vidas concretas por trás desses números. Há fome, privações e talentos que talvez nunca encontrem a oportunidade de se revelar, sem os programas sociais. Uma estatística mede a extensão da pobreza; não consegue contar, sozinha, o que significa vivê-la.
Mas defender um programa não é dispensá-lo de prestar contas. Quero saber se as crianças estão aprendendo, se os jovens concluem os estudos, se os adultos encontram trabalho em melhores condições com a requalificação profissional. Quero saber onde uma política funciona, onde falha e o que precisa mudar. O Banco Mundial reúne estudos que apontam maior escolaridade entre crianças beneficiárias do Bolsa Família, inclusive uma probabilidade 4 a 8 pontos percentuais maior de concluir o ensino médio. É esse tipo de resultado, examinado com rigor e acompanhado ao longo do tempo, que deve orientar as decisões.
Esse é, a meu ver, um dos maiores desafios do governo Lula: proteger quem precisa agora e ampliar suas possibilidades para amanhã. Um benefício que impede uma família de passar fome já cumpre uma função essencial. Uma política de inclusão deve ir além: ajudar a romper a transmissão da pobreza de pais para filhos. Para saber se estamos avançando, precisamos de avaliação periódica, dados públicos e disposição para corrigir o rumo.
É assim que entendo a responsabilidade política. Não devo fidelidade incondicional a um partido ou governante. Devo atenção às pessoas que continuam esperando uma chance – e honestidade para perguntar, sempre, se aquilo que fazemos está de fato chegando até elas.
É com essas convicções que votarei em 4 de outubro, daqui a sete dias. Se você pensa diferente, vá em frente, mas não transfira a culpa para ninguém. Seu voto é a sua força para mudar a realidade.
Djalba Lima, jornalista, é colaborador do Jornal Opção.
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Fonte: Jornal Opção