Reta final e a disputa pelo futuro
Por Emir Sader — Brasil 247
Independentemente de tudo o que tenha acontecido no longo transcurso da campanha, os dois corredores entram na reta final, segundo pesquisas, cabeça a cabeça.
Independentemente de se a situação é essa mesma, porque as pesquisas fazem parte da campanha e tratam de animar o candidato da direita, para que não bata o desânimo, se aceitam o favoritismo do Lula, trata-se de jogar tudo na reta final.
O que está em jogo é muita coisa, para se deixar levar por qualquer atitude que dificulte o resultado final. Disputa-se se o futuro do Brasil é em democracia ou em regime autoritário. Se se priorizarão as políticas sociais e o combate às desigualdades ou os interesses do capital financeiro e o ajuste fiscal. Se se projeta um futuro de desenvolvimento econômico e pleno emprego ou de altas taxas de juros e estagnação econômica.
Jogar todas as forças significa também deixar de lado as musiquinhas históricas, que só consolidam o voto de quem já está com o Lula, para tratar de atingir os que estão indecisos, ou que estão do outro lado, mas podem mudar de posição, conforme a abordagem que demos.
Deixar o passado histórico e épico do Lula de lado e projetar o futuro. Porque não basta falar com as gerações que viveram o passado a que se referem as propagandas sobre a trajetória do Lula; é preciso nos dirigirmos aos jovens, os menos interessados em política, mas que vão acabar votando. Dirigir o olhar das pessoas para o futuro, especialmente dos jovens.
A direita joga a parada dos descontentes, do contra tudo isso que está aí. Por uma ou outra razão, a maioria está descontente com algo, seja ou não culpa do governo. Quem está no governo sempre leva a culpa do descontentamento das pessoas. Até a crise do STF, com a qual o Lula não tem nada a ver, recai sobre ele. Quem governa paga o preço de tudo o que está aí.
Não basta controlar o passado, ter uma interpretação correta do que já foi. As pessoas estão votando pelo futuro, para satisfazer suas insatisfações. Esse tem que ser o rumo da propaganda na reta final.
Fonte: Brasil 247