Diretor de federação da PF defende quebra total de sigilo nos casos do Master e do INSS no Supremo
Por Luis Mauro Filho — Brasil 247
247 – O diretor de estratégia sindical da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Flávio Werneck, afirmou que grande parte da categoria defende a retirada total do sigilo das investigações sobre o Banco Master e o INSS no Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação foi publicada nesta quarta-feira (9) pela coluna Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Werneck disse acompanhar pelo menos sete grupos formados por profissionais de diferentes segmentos e posições ideológicas. Segundo ele, integrantes da Polícia Federal consideram uma ingerência indevida a intervenção do ministro do STF André Mendonça, que afastou Andrei Rodrigues do comando da corporação na terça-feira (8).
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, suspendeu nesta quarta-feira a decisão de Mendonça e manteve Rodrigues no cargo de diretor-geral da PF.
Werneck relatou que existe entre os policiais um sentimento de que Mendonça faz uso político da instituição e divulga seletivamente trechos de documentos para atingir determinados alvos. Na avaliação do dirigente, essa conduta prejudica o andamento das investigações e pode resultar na anulação de atos processuais.
O policial federal classificou como “esdrúxula” a comparação feita pelo magistrado entre um relatório interno da PF, divulgado na quinta-feira (3), e o monitoramento de ativistas e críticos do governo realizado por órgãos de inteligência durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O documento interno indicava que Mendonça teria interferido na condução das investigações relacionadas às operações Sem Desconto e Compliance Zero, que envolvem os casos do INSS e do Banco Master.
Werneck também lembrou que dossiês contra policiais e servidores públicos foram produzidos quando Mendonça comandava o Ministério da Justiça. Para ele, a resistência do ministro à atual direção da Polícia Federal contrasta com a ausência de questionamentos durante o governo Bolsonaro, período em que a corporação passou por quatro trocas de comando.
O dirigente está licenciado da função na Fenapef e concorre a uma vaga de deputado federal pelo Distrito Federal, filiado ao PDT. A Folha informou ter procurado o STF por meio da assessoria de imprensa, mas não recebeu resposta até a publicação da coluna.
Fonte: Brasil 247