Relembre 6 frases de Alexandre de Moraes que não envelheceram bem após o caso Master

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Por Bruna AriadneJornal Opção

Relembre 6 frases de Alexandre de Moraes que não envelheceram bem após o caso Master

As informações reveladas pela Polícia Federal sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro fizeram declarações dadas pelo magistrado nos últimos anos voltarem a circular nesta terça-feira, 15.

O movimento ocorre no mesmo dia em que o plenário do Supremo discute os desdobramentos do caso envolvendo Moraes. Entre os elementos apontados pela investigação estão mensagens enviadas por Vorcaro ao ministro nos dias anteriores à prisão do ex-banqueiro, em novembro de 2025.

Segundo o relatório policial, foram recuperadas mensagens enviadas por Vorcaro, mas não as respostas atribuídas a Moraes. A PF apontou que os retornos teriam sido enviados pelo recurso de visualização única do WhatsApp, que torna o conteúdo indisponível depois de aberto. Moraes nega as conversas e classificou as acusações como uma “farsa”.

Além dos contatos, a investigação trouxe informações relacionadas ao contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. A banca confirmou que Moraes participou da revisão de um dos documentos.

Em meio ao caso, falas anteriores do magistrado sobre atuação do Judiciário, apagamento de mensagens, colegialidade e democracia passaram a ser confrontadas publicamente com os fatos que agora são discutidos no Supremo.

“O herói do filme precisa continuar”

Em abril de 2025, durante entrevista à revista norte-americana The New Yorker, Moraes falou sobre ameaças recebidas e contou que costumava brincar com a equipe responsável por sua segurança dizendo que “o herói do filme precisa continuar”.

A frase foi dita em um período no qual o ministro estava no centro de decisões envolvendo investigações sobre ataques às instituições e os atos de 8 de janeiro.

Mais de um ano depois, Moraes enfrenta uma situação diferente: o próprio Supremo discute questionamentos relacionados à sua conduta no caso envolvendo Vorcaro.

“Desprezo para com o Poder Judiciário”

Outra declaração que voltou a ser lembrada envolve o apagamento de mensagens.

Durante o julgamento de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como Débora do Batom, Moraes tratou a possível exclusão de mensagens do celular como uma demonstração de “desprezo para com o Poder Judiciário e a ordem pública”.

Na ocasião, o relatório mencionado no voto apontava uma interrupção nas conversas armazenadas no aparelho entre dezembro de 2022 e a primeira quinzena de fevereiro de 2023. O documento tratava o apagamento como uma possibilidade.

Agora, a forma como Moraes teria se comunicado com Vorcaro tornou-se um dos pontos de atenção. A PF afirma que as respostas atribuídas ao ministro não puderam ser recuperadas porque teriam sido encaminhadas pelo modo de visualização única.

“Trata-se de ilação mentirosa”

As primeiras notícias sobre possíveis contatos entre Moraes e Vorcaro surgiram meses antes do atual julgamento.

Em março, o gabinete do ministro rejeitou as informações e afirmou que se tratava de uma “ilação mentirosa” destinada a atacar o Supremo.

Posteriormente, o relatório da Polícia Federal apresentou novos elementos sobre a relação entre os dois. A apuração menciona encontros e mensagens enviadas pelo ex-banqueiro ao magistrado, inclusive em período próximo à prisão de Vorcaro.

Moraes voltou a negar irregularidades e sustenta que as acusações têm motivação política.

“O Judiciário é um órgão colegiado”

Em agosto de 2025, Moraes falou publicamente sobre a importância das decisões coletivas nos tribunais ao reconhecer que instituições formadas por pessoas estão sujeitas a erros.

“Exatamente por isso o Judiciário é um órgão colegiado, para que uns corrijam os equívocos dos outros”, declarou na ocasião.

A colegialidade voltou ao centro do debate no caso Master. Nesta terça-feira, o plenário passou a discutir não apenas uma eventual investigação, mas também questões relacionadas à condução dos procedimentos e à participação dos ministros nas decisões.

Flávio Dino, por exemplo, divergiu do presidente Edson Fachin e defendeu que os casos relacionados a Moraes e André Mendonça sejam analisados conjuntamente pelo Supremo.

“Um Judiciário vassalo não é um Judiciário independente”

A independência do Poder Judiciário também aparece entre as declarações recuperadas diante da atual crise.

Em discurso realizado no Senado em 2022, Moraes afirmou que “um Judiciário vassalo, covarde, que quer fazer acordos (…) não é um Judiciário independente”.

A declaração fazia parte de uma defesa da autonomia dos magistrados diante de pressões externas. Quatro anos depois, a independência das instituições aparece novamente no debate, desta vez relacionada à necessidade ou não de abertura de uma investigação envolvendo um integrante do próprio Supremo.

“A própria democracia vem sendo atacada”

Outra declaração ocorreu em agosto de 2025, quando Moraes afirmou que “a própria democracia vem sendo atacada de forma jamais vista” desde o período de redemocratização posterior à Segunda Guerra Mundial.

Na ocasião, o ministro defendeu o fortalecimento institucional diante do avanço do que classificou como “novo populismo extremista”.

Moraes se tornou uma das figuras centrais das decisões do Supremo relacionadas aos atos de 8 de janeiro, às investigações sobre tentativa de golpe e aos inquéritos envolvendo ataques às instituições.

Agora, o magistrado está no centro de uma discussão interna do STF sobre quais procedimentos devem ser adotados diante das informações encontradas pela Polícia Federal.

Moraes nega irregularidades

Na véspera da sessão, Moraes reagiu às acusações e afirmou que os fatos apresentados contra ele seriam resultado de uma “farsa”. O ministro também atribuiu as denúncias a uma tentativa de vingança política.

“Apesar da farsa montada e divulgada, não existe absolutamente nada e todos sabem a motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras. Vingança”, afirmou.

A posição do ministro integra o contraponto às informações apresentadas pela investigação. Caberá ao Supremo definir o tratamento jurídico dos elementos relacionados ao caso e se há fundamento para novas medidas investigativas.

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Fonte: Jornal Opção

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