ReData deve estimular data centers menores e expandir infraestrutura, apontam representantes do setor
Por Luis Mauro Filho — Brasil 247
247 – O Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (ReData) pode estimular a instalação de data centers menores e distribuídos fora dos principais polos do Brasil, aproximando a capacidade de processamento dos usuários finais. A avaliação foi apresentada por participantes de um painel no Data Center World Brasil, em São Paulo, segundo reportagem publicada pelo Broadcast nesta quarta-feira (7).
A expansão dessas estruturas, conhecidas como data centers de borda ou edge, pode reduzir o tempo necessário para que as informações trafeguem entre dispositivos e servidores. Esse modelo ganha relevância diante do aumento da demanda por computação em nuvem, inteligência artificial e serviços em tempo real, aplicações que dependem de menor latência.
O ReData busca também enfrentar a escassez de infraestrutura de data centers de qualidade fora das áreas onde o setor está mais concentrado. O diretor do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), Milton Kashiwakura, apontou dificuldades para encontrar esse tipo de estrutura principalmente nas regiões Centro-Oeste e Nordeste.
O regime prevê incentivos adicionais para empresas que instalarem operações no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A expectativa apresentada pelo setor é que o mecanismo favoreça uma distribuição geográfica maior da capacidade computacional e aproxime os centros de processamento dos mercados consumidores.
A descentralização pode ser especialmente relevante para a computação de borda. Diferentemente de instalações concentradas em poucos grandes centros, o modelo distribui estruturas menores por diferentes localidades e permite que parte do processamento seja realizada mais perto de quem utiliza ou produz os dados.
O movimento ocorre durante uma expansão expressiva dos investimentos no setor. Dados apresentados no painel indicam que o Brasil tem atualmente 28 grandes projetos de data centers em construção ou planejamento, com investimentos estimados em cerca de R$ 430 bilhões.
O avanço desses empreendimentos amplia a capacidade prevista de armazenamento e processamento de dados no País, enquanto o ReData pode contribuir para que parte dessa infraestrutura seja instalada fora dos polos tradicionais e mais perto dos usuários que demandam serviços digitais.
Fonte: Brasil 247