Congressistas dos EUA cobram Rubio e Trump por tentativa de interferência nas eleições do Brasil

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Por Paulo Emilio — Brasil 247

247 – Um grupo de 12 deputados democratas dos Estados Unidos acusou o governo do presidente Donald Trump de manter um “esforço contínuo” para influenciar as eleições brasileiras de 2026. Os parlamentares também cobraram explicações do secretário de Estado, Marco Rubio, sobre a revogação do visto diplomático da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Segundo o UOL, as acusações constam de uma carta enviada a Rubio na terça-feira (6). No documento, os congressistas classificam a retirada do visto da diplomata brasileira como uma medida “extraordinária e sem precedentes” e afirmam que a decisão representa uma nova escalada na deterioração das relações entre Brasil e Estados Unidos.

Para os democratas, o episódio faz parte de uma sequência de ações da administração americana relacionadas à política interna brasileira. A carta sustenta que a revogação do visto de Viotti é a iniciativa mais recente do que os parlamentares descrevem como uma tentativa do governo Trump de influenciar a disputa eleitoral de 2026.

Deputados apontam sequência de ações contra o Brasil

Os congressistas citam as tarifas de 50% impostas ao Brasil e sanções contra um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), além de medidas adotadas por Washington durante o processo contra o ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL).

Segundo os parlamentares, essas iniciativas estiveram relacionadas ao que classificam como uma tentativa fracassada do governo Trump de proteger o ex-presidente brasileiro.

A carta também menciona contatos de integrantes da administração dos EUA com Bolsonaro e questionamentos sobre o sistema eleitoral brasileiro. Na avaliação dos democratas, esse conjunto de ações demonstra uma tentativa de influenciar assuntos políticos internos do Brasil de maneiras que poderiam ameaçar as instituições democráticas e o processo eleitoral.

Os deputados afirmam ainda que medidas adotadas pelo Departamento de Estado teriam colocado em risco uma aproximação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Eles lembram que o presidente estadunidense elogiou Lula depois de um encontro entre os dois e manifestam preocupação com ações posteriores que, segundo a carta, buscariam “fabricar esta crise diplomática” a poucos meses das eleições brasileiras.

Revogação de visto entra no centro da crise

Segundo os congressistas, a revogação do visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti teria ocorrido em retaliação à decisão brasileira de negar vistos a dois integrantes do Departamento de Estado: Riley M. Barnes, secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto da mesma área.

Os deputados cobram de Rubio informações sobre o objetivo da viagem dos dois funcionários ao Brasil e sobre quais reuniões estavam previstas.

A carta cita reportagens segundo as quais autoridades americanas pretendiam levantar questionamentos sobre o sistema eleitoral brasileiro. O governo brasileiro teria negado os vistos por considerar que as visitas poderiam representar uma nova tentativa de influência nas eleições presidenciais de 2026.

Os parlamentares também querem saber se a Casa Branca participou da decisão de retirar o visto de Viotti e se Trump foi informado previamente.

Outro questionamento é se Rubio ou outras autoridades do Departamento de Estado autorizaram contatos com Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, o ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro ou representantes deles sobre a revogação do visto da embaixadora.

Democratas cobram provas sobre sistema eleitoral

Um dos principais pontos da carta envolve os questionamentos de autoridades americanas sobre a credibilidade das eleições brasileiras.

Os deputados exigem que o governo Trump apresente evidências que sustentem eventuais dúvidas sobre o sistema eleitoral do Brasil.

“Por que autoridades do Departamento de Estado buscaram examinar o sistema eleitoral brasileiro em meio a uma campanha presidencial ativa e quais evidências específicas o Departamento possui de que o sistema eleitoral do Brasil pode não ter credibilidade?”, questionam os congressistas.

O grupo também pergunta diretamente se o governo estadunidense considera a eleição presidencial brasileira de 2022 livre e justa e se o Departamento de Estado dispõe de alguma evidência de que a eleição de 2026 não será.

Relação com China e cooperação entram no alerta

Além das consequências políticas, os democratas cobram informações sobre eventuais avaliações do governo americano a respeito dos efeitos das medidas sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos.

Entre os possíveis impactos mencionados pelos congressistas estão uma maior aproximação brasileira com a China e prejuízos à cooperação bilateral no combate ao narcotráfico, na segurança regional e no comércio.

Os deputados defendem que as relações entre Washington e Brasília sejam orientadas pelo respeito à decisão soberana dos eleitores brasileiros.

Na carta, afirmam que a relação bilateral deveria se basear no respeito às escolhas democráticas dos brasileiros e “não ser determinada pelo fato de o candidato favorecido pelo presidente Trump vencer”.

Rubio tem prazo até 20 de outubro

Os 12 parlamentares deram ao Departamento de Estado prazo até 20 de outubro para responder por escrito aos questionamentos.

Assinam o documento Sydney Kamlager-Dove, Gregory Meeks, James McGovern, Pramila Jayapal, Nydia Velázquez, Jonathan Jackson, Sylvia Garcia, Dina Titus, Yvette Clarke, Mike Quigley, Jasmine Crockett e Madeleine Dean. Meeks é o principal democrata da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes.

A nova cobrança amplia a pressão dentro dos Estados Unidos sobre a atuação do governo Trump em relação ao processo eleitoral brasileiro.

Em 29 de setembro, os senadores democratas Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch enviaram outra carta a Rubio na qual alertaram para uma possível interferência na eleição presidencial brasileira. Eles perguntaram se o governo americano se comprometeria a reconhecer o resultado certificado das urnas e a manter relações diplomáticas normais com o candidato escolhido pelos eleitores.

Dias antes, 30 deputados e o senador independente Bernie Sanders também haviam questionado a política da administração Trump para o Brasil. De acordo com aquela carta, as medidas adotadas por Washington indicavam uma “aparente tentativa de interferir e potencialmente minar” as eleições brasileiras.

As manifestações anteriores citaram tarifas, investigações comerciais e a aproximação de Trump com o senador Flávio Bolsonaro (PL) entre os exemplos de possível interferência. A carta dos três senadores também cobrou explicações do Departamento de Estado sobre sua atuação junto a países do Hemisfério Ocidental no acompanhamento de processos eleitorais e judiciais.

Fonte: Brasil 247

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