Queridinha do Barsi, Paranapanema (PMAM3) fecha acordo que acaba com boa parte da dívida bilionária, mas recuperação judicial segue

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Por Bia Azevedo — Seu Dinheiro

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A Paranapanema (PMAM3) retirou um peso bilionário das costas. Em recuperação judicial desde 2022, a produtora de cobre fechou um acordo com 11 credores — entre eles Banco do Brasil (BBAS3), Caixa Econômica Federal e Bradesco (BBDC4) — que eliminou R$ 3,94 bilhões de uma dívida de R$ 4,27 bilhões. A redução de 92,3% encerra a maior parte de um passivo ligado à reestruturação financeira.

Para concluir a negociação, a Paranapanema transferiu aos credores cerca de R$ 326,3 milhões. Desse total, R$ 41 milhões estavam em uma conta vinculada e R$ 185,3 milhões correspondiam a um saldo judicial decorrente de uma cessão anterior de direitos creditórios.

Os R$ 100 milhões restantes foram pagos em dinheiro novo, captado por meio da 11ª emissão de debêntures conversíveis da companhia. O pagamento ocorreu na quarta-feira (30), quando a empresa anunciou o cumprimento de todas as condições do acordo, assinado em maio e alterado em junho e julho.

Já o saldo da dívida, de R$ 327,4 milhões, será pago exclusivamente com recursos obtidos pela monetização de nove créditos judiciais pertencentes à Paranapanema e à sua controlada CDPC. A operação terá prazo de três anos e não consumirá o caixa operacional.

Ao fim desse período, o saldo será extinto mesmo que os credores não tenham recebido o valor integral, com quitação completa e encerramento do acordo original e de seus instrumentos acessórios. Segundo a companhia, a negociação também devolve a plena disponibilidade de seus ativos operacionais e não operacionais.

O passivo estava vinculado a uma renegociação de dívidas firmada em agosto de 2017 com os principais credores financeiros da Paranapanema, chamada de Acordo Global. Alterado em 2021 e 2022, o acordo previa pagamentos até 2028.

Além dos três bancos citados, participaram da transação Cargill, BNP Paribas, Bank of China, ING, Scotiabank, Sumitomo Mitsui Banking Corporation, Zion e BPS.

“Com a conclusão da transação, a companhia liquida hoje, de forma definitiva, uma dívida histórica que por quase uma década comprometeu sua estrutura de capital, sua liquidez e sua capacidade de investimento, reduzindo substancialmente o endividamento da companhia”, escreve a empresa em comunicado.

A recuperação judicial da Paranapanema ainda não acabou

Apesar do alívio, a recuperação judicial continua. A Paranapanema ressalta que ainda enfrenta desafios para equacionar integralmente sua estrutura de capital. A redução de 92,3% refere-se ao passivo do Acordo Global, e não à totalidade das dívidas da companhia.

Os números do segundo trimestre, antes do acordo desta semana, ajudam a dimensionar o desequilíbrio: em junho de 2026, a empresa tinha dívida bruta de R$ 6,12 bilhões e dívida líquida de R$ 6,08 bilhões, com 99% do endividamento classificado no curto prazo.

Na mesma data, o patrimônio líquido era negativo em R$ 7,81 bilhões, enquanto o caixa e equivalentes somavam apenas R$ 5,4 milhões, além de R$ 41,8 milhões em aplicações financeiras. Ou seja, as obrigações da empresa superavam os ativos

A pressão também aparecia nos resultados. Mesmo com Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) positivo de R$ 68,9 milhões, favorecido por reversões de provisões judiciais, a Paranapanema registrou prejuízo líquido de R$ 285,1 milhões no trimestre, impactado principalmente pela atualização dos juros sobre a dívida. O fluxo de caixa operacional ficou negativo em R$ 14,9 milhões.

Para recuperar o equilíbrio, o plano prevê retomada das operações, condições especiais de pagamento aos credores, venda parcial de ativos e novos financiamentos. A empresa afirma buscar maior acesso a capital de giro para ampliar a produção e as vendas.

Outros acordos e os desafios que permanecem

Segundo a Paranapanema, a transação se soma a outros acordos celebrados neste ano que, em conjunto, promoveram a liquidação de mais de R$ 5,1 bilhões em passivos.

A companhia também informou a quitação de R$ 849,7 milhões com o Fundo BS, R$ 68,1 milhões com a Axia Energia (AXIA3), antiga Eletrobras, e R$ 48 milhões com o Banrisul.

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Fonte: Seu Dinheiro

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