Queda no percentual de Flávio durante apuração não é indício de fraude
Por Bianca Bortolon — Aos Fatos | Em busca da verdade na política – feed
Não é verdade que a queda no percentual do candidato Flávio Bolsonaro (PL) entre duas atualizações da apuração do primeiro turno indique uma inconsistência na contagem, como afirmam nas redes. As postagens desconsideram que esse percentual não depende apenas dos votos novos que ele recebeu, mas quanto esse montante representa em relação ao total contabilizado.
Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam centenas de curtidas no Facebook até a tarde desta terça-feira (6).
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O Flávio saiu de 12 milhões para 14 milhões e cacetada, foi (sic) 2 milhões de votos que ele ganhou, mas, mesmo assim, abaixou (..) o percentual dele. Agora, o Lula estava com 10 milhões e foi para 11 milhões, foi 1 milhão só de votos. Como o Lula estava com 40,82% e subiu para 40,97%, e o Flávio ganhou mais de 2 milhões de votos e a porcentagem dele abaixou?

Publicações nas redes erram ao apontar uma suposta inconsistência na contagem de votos da eleição presidencial deste domingo (4). Em um vídeo, um homem questiona como o percentual de Flávio Bolsonaro caiu de 51,07% para 50,94% entre duas atualizações da apuração, apesar de o candidato ter recebido um número maior de votos do que Lula (PT) no mesmo intervalo.
Não há contradição nos números. A porcentagem de um candidato não depende apenas de quantos votos novos ele recebeu, mas de quanto eles representam em relação ao total contabilizado.
Assim, mesmo que Flávio tenha sido escolhido mais vezes em relação a Lula entre duas atualizações, seu percentual pode cair se os votos destinados a ele representarem uma parcela menor do novo total do que representavam anteriormente.
Eleições 2026Checagem
É falso que urnas interromperam apuração de votos no primeiro turno
No vídeo, o homem compara duas telas da transmissão da CNN Brasil. Às 18h23, com 21,96% das urnas totalizadas, os números exibidos eram:
- Flávio Bolsonaro – 12.915.526 votos (51,07%)
- Lula – 10.324.360 (40,82%)
- Augusto Cury (Avante) – 743.675 (2,94%)
- Ronaldo Caiado (PSD) – 602.335 (2,38%)
Às 18h25min, as parciais mostram o resultado parcial com 24,45% da totalização:
- Flávio – 14.344.471 (50,94%)
- Lula – 11.536.137 (40,97%)
- Cury – 827.940 (2,94%)
- Caiado – 668.442 (2,37%)
O vídeo erra, primeiro, ao calcular quantos votos os dois candidatos receberam nesse intervalo. Flávio não ganhou “mais de 2 milhões” de votos: foram 1.428.945 votos adicionais. Lula, por sua vez, acrescentou 1.211.777 votos à sua contagem.
Além disso, comparar apenas o aumento no número absoluto de votos dos dois candidatos não permite determinar como seus percentuais deveriam variar. Para calcular o percentual de um candidato, divide-se a quantidade de votos que ele recebeu pelo total de votos válidos contabilizados e multiplica-se o resultado por 100. Em termos simples:
votos do candidato / total de votos válidos x 100
Às 18h23, por exemplo, os 12,9 milhões de votos de Flávio representavam 51,07% dos cerca de 25,3 milhões de votos válidos contabilizados naquele momento. Na atualização seguinte, não aumentou apenas a quantidade de votos do candidato, mas também o total de votos válidos, que chegou a cerca de 28,2 milhões.
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Diferença entre votos para senadores do PL e Flávio não indica fraude
Narrativa recorrente. Desde o primeiro turno, realizado no último domingo (4), Aos Fatos já checou diversas publicações desinformativas que tentam apontar supostas inconsistências ou fraudes na contabilização dos votos, como:
- A diferença entre os votos recebidos por candidatos do PL ao Senado e por Flávio Bolsonaro;
- Urnas eletrônicas teriam interrompido a apuração dos votos;
- A entrega de colas em branco por mesários configuraria irregularidade;
- Eleitores precisariam apertar “confirma” duas vezes na urna;
- Policiais teriam encontrado uma urna fraudada no Distrito Federal.
O caminho da apuração
Aos Fatos analisou as duas parciais da apuração exibidas no vídeo e comparou a quantidade de votos e os percentuais registrados para Flávio Bolsonaro, Lula e os demais candidatos. Em seguida, calculou a variação do número absoluto de votos e a representação percentual de cada candidato frente ao todo.