PF arquiva investigação sobre suposta interferência estrangeira nas eleições brasileiras
Por Giovanna Campos — Jornal Opção

A Polícia Federal (PF) decidiu arquivar a investigação sobre uma possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras de 2026. Segundo informações obtidas pela coluna, a corporação concluiu que não havia indícios mínimos de ilícitos que comprovassem uma atuação do governo dos Estados Unidos no processo eleitoral.
A apuração havia sido anunciada pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, no domingo, 4, durante a votação do primeiro turno. Na ocasião, ele explicou que a corporação havia recebido uma representação da Advocacia-Geral da União (AGU) e encaminhado o caso à Diretoria de Inteligência.
O procedimento ainda estava em fase preliminar e não havia resultado na abertura formal de um inquérito policial.
Pedido da AGU
A AGU acionou a PF após reportagem do jornal britânico The Guardian sobre a destinação de recursos do governo de Donald Trump para iniciativas voltadas à defesa de direitos humanos e críticas ao que o projeto classificava como abuso de poder judicial e censura no Brasil.
Segundo a reportagem, cerca de US$ 1 milhão, aproximadamente R$ 5,2 milhões, seriam destinados ao país por meio do projeto denominado “Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil”.
Não havia, porém, confirmação sobre o envio efetivo dos recursos, nem sobre os valores eventualmente repassados ou os destinatários.
Ao solicitar a apuração, o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, afirmou que, caso fosse comprovado o uso de recursos estrangeiros para financiar ataques sistemáticos às instituições brasileiras, seria necessário identificar os responsáveis e eventuais beneficiários no país.
Investigação ocorreu durante o primeiro turno
A abertura da apuração foi anunciada por Andrei Rodrigues no próprio dia da votação. Na ocasião, o diretor-geral ressaltou que se tratava de um procedimento prévio, ainda sem portaria formal de instauração de inquérito.
O caso também chamou a atenção porque o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou no mesmo dia que não havia sido identificado nenhum alerta de interferência estrangeira nas eleições.
Segundo a PF, a análise preliminar serviu para verificar se as informações apresentadas pela AGU continham elementos suficientes para justificar uma investigação formal.
PGR já havia rejeitado pedido semelhante
Antes da abertura da apuração da PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia se manifestado contra um pedido semelhante.
Em julho, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, avaliou que não havia elementos mínimos que justificassem a abertura de um procedimento preliminar com base em uma reportagem sobre o mesmo edital do governo norte-americano.
A manifestação ocorreu depois que informações sobre o programa foram divulgadas no Brasil. Na avaliação da PGR, a existência do edital, por si só, não demonstrava interferência estrangeira nas eleições.
PT também pediu investigação
O PT apresentou posteriormente um pedido semelhante ao Supremo Tribunal Federal (STF). A legenda solicitou a apuração de uma eventual atuação estrangeira no processo eleitoral e de possíveis repasses de recursos para grupos brasileiros.
A iniciativa ocorreu enquanto a PF já analisava a representação apresentada pela AGU.
Com o arquivamento da apuração, a PF concluiu que não encontrou elementos suficientes para comprovar a hipótese de interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
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Fonte: Jornal Opção