PT amplia representação feminina e negra e fortalece resistência à maioria conservadora no Congresso
Por gutoalves — Fundação Perseu Abramo
As eleições de domingo (4) ampliaram a representação feminina e negra nas bancadas do PT em um Congresso marcado pelo avanço das forças conservadoras. O partido apresenta os novos mandatos como parte da resistência progressista à extrema direita, com a defesa da democracia, dos direitos sociais e das políticas de redução das desigualdades entre suas prioridades para a próxima legislatura.
O PT elegeu 70 deputados federais. A Federação Brasil da Esperança, formada também por PCdoB e PV, terá 88 representantes, a segunda maior bancada da Câmara. A agenda anunciada pelo partido inclui valorização do salário mínimo, geração de emprego e renda, fortalecimento dos serviços públicos, combate ao racismo e promoção dos direitos das mulheres. São pautas que exigirão articulação parlamentar e mobilização social diante da correlação de forças no Congresso.
Mais mulheres na defesa de direitos
Na Câmara, o número de deputadas petistas eleitas passou de 18 em 2022 para 25 neste ano, um crescimento de 38,9%. Nas Assembleias Legislativas, a bancada feminina avançou de 29 para 45 deputadas, entre parlamentares reeleitas e novos nomes.
“É a maior bancada de mulheres eleitas na história do nosso partido”, afirmou a secretária nacional de Mulheres do PT, Mazé Morais. Para a dirigente, o resultado foi construído pela organização das mulheres e pela pressão por recursos, estrutura e apoio político às candidaturas. A tarefa dos mandatos, destacou, será formular políticas públicas e enfrentar as desigualdades que atingem as brasileiras.
No Senado, Marília Campos (PT-MG) e Samanda Alves (PT-RN) se juntarão a Teresa Leitão (PT-PE), cujo mandato continua. Na Câmara, a renovação inclui Anielle Franco (PT-RJ), Nísia Trindade (PT-RJ), Ana Elisa (PT-MG) e Luna Zarattini (PT-SP), ampliando a presença de mulheres na disputa legislativa por saúde, educação, igualdade racial e direitos sociais.
Representação negra para enfrentar o racismo
A bancada negra petista na Câmara reunirá 14 parlamentares, sendo nove reeleitos e cinco novos integrantes. Entre os nomes que chegam estão Renato Freitas (PT-PR), Anielle Franco (PT-RJ) e Ana Elisa (PT-MG). Dandara Tonantzin (PT-MG), presidenta da Frente Parlamentar Antirracista do Congresso Nacional, conquistou a reeleição.
Nos Legislativos estaduais, foram eleitos 41 parlamentares negros pelo partido. Entre os destaques estão Vilma Reis (PT-BA), liderança histórica do movimento negro, Dani Portela (PT-PE), Duda Hidalgo (PT-SP) e Divaneide Basílio (PT-RN).
Para o secretário nacional de Combate ao Racismo do PT, Tiago Soares, cada candidatura negra eleita rompe barreiras históricas impostas pelo racismo aos espaços de decisão. O próximo passo, afirma, exige organização, formação política e diálogo permanente com os movimentos sociais para transformar a força eleitoral em políticas públicas de igualdade racial. A resistência aos retrocessos passa também por ampliar direitos e fazer os mandatos responderem às necessidades da população.
Fonte: Fundação Perseu Abramo