No 2º turno, aplicativo cruza dados sobre abstenções por local de votação

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Por claudiarocha — Fundação Perseu Abramo

Conforme previsto por cientistas políticos, a abstenção no primeiro turno das eleições para presidente e para o legislativo neste ano foi alta. O índice de 21% do eleitorado que não participou da votação é um recorde, desde o pleito de 1998, quando a abstenção ficou em 21,5%. No total, mais de 33 milhões de brasileiros não foram às urnas. 

O crescimento do desengajamento do eleitor já faz parte do cenário político nas últimas décadas; na eleição passada, que definiu cargos da esfera municipal, a abstenção foi de 32 milhões de pessoas. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, em 2026, mais de 2,3 milhões de pessoas foram às urnas votar em branco e 3,6 milhões anularam o voto.

Nessa fatia de eleitores, aptos a participarem do processo eleitoral, porém com voto facultativo, destacam-se dois grupos: os idosos acima dos 70 anos (um total de 16 milhões de pessoas) e os jovens entre 16 e 17 anos (2 milhões). Outro segmento que aparece com destaque é representado pelas pessoas mais vulneráveis socialmente, em especial, aqueles que são beneficiários de programas sociais, como o Bolsa Família.

O fenômeno da “apatia cívica”, além de ser consequência direta de fatores práticos como a locomoção ao local de votação, também aparece motivada, nos diferentes grupos etários espalhados pelas cinco regiões do país, pelo crescente desinteresse na pauta e pelo desgaste causado a partir do acirramento da polarização política.

De acordo com um relatório de mapeamento das abstenções do primeiro turno de 2026 produzido pelo DONE – “De Olho nas Eleições”, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a região que mais compareceu às urnas foi o Nordeste, com 18% de taxa de abstenção contra quase 23% de ausências no Sudeste, a região que teve mais faltas às urnas.

Ferramenta para virar voto

O resultado apertado, com uma diferença de apenas 2.224.965 votos (1,87 pontos entre os candidatos) deixa o cenário ainda indefinido e coloca ambas as campanhas na busca ativa pelo voto das abstenções, já que eleitores que não compareceram no 1º turno ainda podem votar no 2º turno. 

“O segundo turno se decide na conversa, na virada de voto, com uma pessoa de cada vez”, diz a nota de apresentação do site “Onde dá pra conversar”, elaborado de maneira independente por voluntários que utilizaram dados do TSE, inspirados em um projeto semelhante, o “Como meus vizinhos votam”, que mapeou a distribuição dos votos a partir do local de votação.

Ao acessar o Onde dá pra conversar, é possível encontrar o mapeamento dos votos em sessões em um raio de um quilômetro do local apontado no mapa. O levantamento destrincha os votos nulos, brancos e as abstenções. Segundo os programadores, nenhum dado pessoal fica salvo, preservando a segurança do usuário da plataforma.

Para os criadores do site de cruzamento de dados, a ideia é fazer com que “a conversa aconteça no entorno: na rua, na feira, na padaria, no ponto de ônibus”. 

Além do mapa, o site oferece orientações práticas para grupos de militantes. A ferramenta mostra também o número de eleitores de Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. 

Em uma eleição considerada morna e marcada pela apatia nas ruas, o diretor do instituto Democracia em Xeque, Beto Vasques, aponta a importância aspecto motivacional: “para a gente entender o perfil da abstenção, temos que entender que as pessoas vão votar motivadas por sonhos ou por medos”, comenta.

Fonte: Fundação Perseu Abramo

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