ANÁLISE: a ausência da terceira via e a melhor votação do PT em SP

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Por Laio Correia Morais — Brasil 247

Acho importante olhar com atenção para o resultado da eleição em São Paulo, porque os números mostram duas coisas ao mesmo tempo: Tarcísio conseguiu vencer no primeiro turno, mas o PT também teve uma votação muito forte e alcançou o seu melhor resultado para governador no estado neste século. A chave para entender o resultado está na ausência completa de uma terceira candidatura competitiva e na concentração quase total dos votos em apenas dois candidatos.

Haddad teve 36,42% dos votos válidos, com 8.423.656 votos. Em 2022, havia tido 35,70%, com pouco mais de 8,3 milhões. Ou seja, quatro anos depois, o PT não perdeu sua base. Ao contrário, cresceu tanto em percentual quanto em número de votos.

Quando olhamos a série histórica, isso fica ainda mais claro. Genoino teve 32,4% em 2002; Mercadante, 31,68% em 2006 e 35,23% em 2010; Padilha, 18,22% em 2014; Marinho, 12,66% em 2018; e Haddad, 35,70% em 2022. Agora, em 2026, chegamos a 36,42%. É o maior percentual do PT para governador de São Paulo neste século e também o maior número de votos do partido nesse período.

Então como Tarcísio conseguiu vencer no primeiro turno com 62,65%?

A diferença decisiva está no que aconteceu com o restante do eleitorado.

Em 2022, Tarcísio teve 42,32% e Haddad 35,70%. Juntos, somaram 78,02%. Assim, quase 22% dos votos válidos estavam em outras candidaturas. Rodrigo Garcia sozinho teve 18,40%, além de Vinícius Poit, Elvis Cezar e outros candidatos.

Agora aconteceu algo muito diferente. Tarcísio e Haddad, juntos, concentraram mais de 99% dos votos válidos. Sobrou menos de 1% para todos os demais candidatos.

Na prática, desapareceu a terceira candidatura competitiva.

E isso é muito diferente do que São Paulo viveu nas últimas décadas. Em 2002, Maluf teve mais de 20%. Em 2006, havia Quércia. Em 2010, Russomanno e Skaf. Em 2014, Skaf teve mais de 21%. Em 2018, Doria teve 31,77%, Márcio França 21,53%, Skaf 21,09% e Marinho 12,66%. Em 2022, Rodrigo Garcia ainda teve 18,40%.

Mesmo nas eleições em que o PSDB era muito forte e venceu no primeiro turno, havia um contingente importante de eleitores votando em uma terceira ou quarta alternativa.

Dessa vez, não.

E esse é o ponto central para entender o resultado. Entre 2022 e 2026, Haddad passou de 35,70% para 36,42%. Tarcísio passou de 42,32% para 62,65%. O que praticamente desapareceu foram os quase 22% que, em 2022, haviam escolhido outros candidatos.

Em número de votos, a comparação é ainda mais clara: Haddad passou de cerca de 8,34 milhões para 8.423.656 votos. Tarcísio saiu de cerca de 9,88 milhões para cerca de 14,49 milhões.

Portanto, não houve uma retração do voto no PT. Haddad manteve sua base e ainda ampliou a votação. A grande mudança aconteceu no restante do eleitorado: milhões de votos que, quatro anos atrás, estavam distribuídos entre Rodrigo Garcia e outras candidaturas passaram a se concentrar em Tarcísio.

Por isso, não me parece correto interpretar o resultado como uma retração do PT em São Paulo. O partido terminou a eleição com mais de 8,4 milhões de votos e seu melhor percentual para governador no estado neste século.

Ao mesmo tempo, Tarcísio conseguiu reunir cerca de 14,49 milhões de votos e ultrapassou os 50% necessários para encerrar a disputa no primeiro turno.

Mas a conclusão mais importante, para mim, é outra: a eleição de 2026 não mostra um encolhimento do voto petista em São Paulo. Mostra uma concentração quase completa do eleitorado em dois campos, sem uma terceira candidatura viável.

Em 2022, quase 22% dos votos estavam fora de Tarcísio e Haddad. Em 2026, esse espaço caiu para menos de 1%. Haddad preservou e aumentou ligeiramente sua votação. Tarcísio foi quem absorveu praticamente todo o espaço deixado pelas demais candidaturas.

É isso que ajuda a explicar como o PT pôde ter seu melhor desempenho para governador paulista neste século e, ao mesmo tempo, Tarcísio vencer no primeiro turno.

No fim, talvez o número que melhor resuma essa eleição seja este: mais de 99% dos votos válidos de São Paulo ficaram concentrados em apenas dois candidatos.

Fonte: Brasil 247

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