Protestos contra custo de vida na França geram confrontos e mais de 100 prisões
Por Redação — Brasil de Fato
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Uma nova onda de protestos contra o aumento do custo de vida e a precariedade dos serviços públicos registrou confrontos entre manifestantes e forças de segurança em diversas cidades da França neste sábado (17).
Convocados por movimentos populares, estudantes e veteranos dos “coletes amarelos”, os atos levaram dezenas de milhares de pessoas às ruas e resultaram em mais de 100 prisões na região da capital.
Em Paris, a polícia utilizou gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar grupos que tentavam se aproximar de áreas restritas, como a Avenida Champs-Élysées e prédios governamentais.
Incidentes graves foram registrados em outras regiões do país: em Lyon, um posto de turismo foi incendiado; em Marselha e Lille, manifestantes invadiram e depredaram as sedes das prefeituras locais, levando prefeitos a solicitarem reforço policial imediato.
Segundo dados do Ministério do Interior francês, até o meio-dia foram contabilizados 140 protestos fora de Paris, reunindo cerca de 32,8 mil pessoas. O órgão informou ainda que ataques contra agentes de segurança, profissionais da imprensa e prédios públicos foram registrados em múltiplos pontos, além do bloqueio de vias estratégicas por manifestantes trajando coletes de alta visibilidade.
A mobilização nacional é fruto da junção de duas frentes de insatisfação. A onda recente teve início no mês passado com bloqueios em colégios da periferia ao norte de Paris, onde estudantes e professores protestavam contra a falta de funcionários e a deterioração das instalações escolares.
Nas últimas quatro semanas, o movimento ganhou adesão popular ao incorporar pautas sobre a perda do poder de compra e o encarecimento de itens básicos.
A inflação no país tem sido impulsionada pela alta dos combustíveis e pela crise econômica global, enquanto a França enfrenta dificuldades para conter a dívida pública, projetada em mais de 120% do Produto Interno Bruto (PIB). Manifestantes também criticam a atuação das forças de segurança, após denúncias de violência policial durante a repressão aos atos estudantis.
O acirramento das manifestações ocorre a seis meses das eleições presidenciais francesas, mobilizando lideranças políticas da oposição. A candidata de extrema-direita Marine Le Pen classificou os episódios de violência como atos de “vândalos” e acusou a esquerda radical de instrumentalizar os protestos.
Por outro lado, o líder da esquerda Jean-Luc Mélenchon sustentou que a maioria das passeatas ocorreu de forma pacífica e criticou a cobertura midiática centrada nos confrontos.
O presidente Emmanuel Macron pediu “respeito às pessoas e ao patrimônio”. A aprovação de cortes de gastos públicos e as tentativas de contenção do déficit governamental têm elevado os custos de financiamento do Estado francês aos patamares mais altos em duas décadas, aprofundando o desgaste do governo na reta final do mandato.
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Fonte: Brasil de Fato