Profissionais divulgam manifesto contra extinção de núcleos de línguas, arte e educação ambiental no DF
Por Vinícius Nunes — Carta Capital
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Para os funcionários, a extinção dos núcleos pode comprometer a coordenação dessas políticas
A extinção dos núcleos de Língua Estrangeira, Arte-Educação e Educação Ambiental da Secretaria de Educação do Distrito Federal pode impactar cerca de 57 mil alunos da rede pública . Funcionários da pasta divulgaram, na terça-feira 22, uma carta de repúdio à medida e afirmam que a mudança pode comprometer a continuidade de projetos, programas, formações e parcerias desenvolvidos nessas áreas.
A mudança reorganizou a estrutura administrativa da Secretaria de Educação. Entre as alterações está a extinção dos núcleos responsáveis por políticas específicas de educação ambiental, ensino de línguas estrangeiras e arte-educação.
O documento é assinado por educadores, pesquisadores, artistas, linguistas, gestores, integrantes de comunidades escolares e outros cidadãos ligados à educação pública. O grupo classifica a decisão como um “grave retrocesso nas políticas educacionais do Distrito Federal” e pede ao governo a revisão da medida.
Segundo os signatários, as três áreas não são atividades acessórias da educação. A Educação Ambiental, afirmam, contribui para que os estudantes conheçam o território onde vivem e compreendam questões relacionadas à água, ao Cerrado, à biodiversidade e ao patrimônio natural e cultural. No caso da Arte-Educação, o documento destaca o papel das linguagens artísticas na expressão, na criatividade, no pensamento crítico e na valorização da diversidade cultural.
O ensino de línguas estrangeiras é outro ponto destacado. A rede pública do DF mantém 17 Centros Interescolares de Línguas, que oferecem cursos gratuitos a estudantes. A carta afirma que essas unidades atendem 57 mil alunos e que a política permite o acesso a idiomas que, de outra forma, poderiam ficar restritos a estudantes com condições de pagar por cursos particulares .
Para os funcionários, a extinção dos núcleos pode comprometer a coordenação dessas políticas. O documento cita como possíveis efeitos a descontinuidade de projetos, programas, formações, parcerias e ações pedagógicas, além da perda de “referências técnicas, memória institucional e capacidade de articulação” com escolas, universidades, instituições culturais, órgãos ambientais e organismos internacionais.
A carta reivindica a revogação da extinção dos três núcleos e a manutenção deles na estrutura da Secretaria de Educação. Os signatários também pedem uma audiência pública e consultas às comunidades escolares, profissionais da educação, instituições de ensino superior, entidades culturais e organizações socioambientais.
O grupo também pede que o governo apresente um plano público para garantir a continuidade e a expansão das ações. “O Distrito Federal precisa de mais educação ambiental, mais arte e mais línguas nas escolas – não de menos”, afirma.
A reportagem de CartaCapital entrou em contato com o governo do Distrito Federal, entretanto, não obteve retorno. O espaço para manifestação segue aberto.
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Fonte: Carta Capital