Presidente da Fiesp, Skaf bancou 65,5% dos anúncios contra Lula no segundo turno
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, foi responsável pela maior parcela dos investimentos em anúncios nas redes sociais contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a primeira semana da campanha do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Uma publicação em que o dirigente empresarial critica a proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1 recebeu até R$ 7 mil em impulsionamento, pagos com recursos da entidade.
As informações foram divulgadas pelo jornalista Ramiro Brites, em coluna no Metrópoles, com base em levantamento realizado na biblioteca de anúncios da Meta, empresa responsável pelo Facebook e Instagram. A análise, que compreendeu o período de 5 a 10 de outubro, identificou que 65,5% dos recursos destinados a impulsionar publicações contra Lula partiram da conta de Skaf, considerando os valores registrados nas plataformas.
O conteúdo patrocinado foi publicado em 7 de outubro e permaneceu impulsionado até o dia 9. Segundo os dados da Meta, a publicação alcançou mais de 1 milhão de usuários das duas redes sociais. Embora tenha sido divulgada no perfil pessoal do presidente da Fiesp, a propaganda contou com financiamento da própria federação industrial.
No vídeo, Skaf questiona o momento escolhido pelo governo federal para defender a redução da jornada de trabalho, uma das principais pautas sociais em discussão durante a campanha eleitoral. O empresário classificou a iniciativa como uma medida de caráter eleitoral e utilizou a expressão “PEC Boca de Urna” para se referir à proposta.
“Engraçado, presidente Lula, depois de 18 anos de governo do PT, só agora, na véspera da eleição, ele está preocupado com [a jornada de trabalho] seis por um”, afirmou Skaf na publicação.
O dirigente também argumentou que a redução da jornada de trabalho provocaria aumento dos preços ao consumidor. A declaração integra a oposição do presidente da Fiesp à proposta de alteração do regime que permite seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou destaque no debate político nacional e passou a ocupar espaço na campanha presidencial. A proposta busca ampliar o tempo de descanso dos trabalhadores e modificar a organização das jornadas de trabalho no país.
Republicanos e deputado do PL também financiaram publicações
O levantamento divulgado pelo Metrópoles identificou 13 anunciantes responsáveis por financiar conteúdos contrários à candidatura de Lula durante o período analisado. Juntos, os investimentos somaram aproximadamente R$ 10,7 mil.
Depois de Skaf, a página nacional do Republicanos apareceu entre os principais responsáveis pelo impulsionamento de publicações contra o presidente, com investimentos de até R$ 1,5 mil. O deputado estadual paulista reeleito Tenente Coimbra (PL) também integrou a relação, com gastos de até R$ 500.
Apesar da concentração dos recursos na publicação do presidente da Fiesp, o volume total de anúncios contrários a Lula foi significativamente inferior ao registrado no primeiro turno. Na etapa anterior da disputa, parte expressiva dos conteúdos patrocinados havia sido financiada por candidatos que concorriam a vagas no Poder Legislativo.
A redução dos investimentos ocorreu após a votação de 4 de outubro, quando a disputa presidencial passou a se concentrar nos dois candidatos classificados para o segundo turno.
Fiesp utilizou recursos próprios para impulsionar crítica ao presidente
Um dos principais aspectos revelados pelo levantamento é a utilização de recursos da Fiesp para ampliar o alcance de uma publicação de seu presidente contra uma proposta defendida por Lula durante a campanha eleitoral.
A federação representa interesses da indústria paulista e exerce influência nas discussões econômicas e trabalhistas do país. Nesse contexto, a manifestação de Skaf sobre a jornada 6×1 também expressa sua posição contrária à mudança nas regras de organização do trabalho.
A publicação, entretanto, não se limitou à apresentação de argumentos econômicos. Ao questionar diretamente Lula e associar a proposta ao calendário eleitoral, Skaf inseriu sua crítica no debate político do segundo turno.
Trajetória política de Paulo Skaf
Filiado ao Republicanos, partido do governador paulista Tarcísio de Freitas, Paulo Skaf possui um histórico de participação em disputas eleitorais e campanhas políticas.
O empresário concorreu ao governo de São Paulo em 2010, pelo PSB, e em 2014, pelo MDB. Sua trajetória também está ligada à representação de entidades patronais e à atuação política do setor industrial.
Durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), Skaf ganhou projeção nacional com a campanha “Não Vou Pagar o Pato”, promovida pela Fiesp. A mobilização utilizava um pato inflável gigante instalado em frente à sede da federação, na Avenida Paulista, em São Paulo, que se tornou um símbolo das manifestações políticas daquele período.
Apesar do histórico de oposição a governos petistas, Skaf integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (Cdes), conhecido como Conselhão, vinculado ao governo Lula. O colegiado reúne representantes de diferentes setores da sociedade para discutir propostas e políticas de desenvolvimento econômico e social.
Fonte: Brasil 247