Polícia Civil do Rio deflagra operação contra esquema de tráfico envolvendo PMs e Comando Vermelho
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta terça-feira (13), uma operação com o objetivo de desarticular um esquema de tráfico de drogas e de armas de fogo que contava com a participação de policiais militares associados ao Comando Vermelho (CV). Até o momento, três pessoas foram presas no decorrer das diligências, informa a CNN Brasil.
As investigações do caso foram iniciadas em outubro de 2023, ocasião em que policiais civis efetuaram a prisão em flagrante do então policial militar da ativa Yuri Luiz Desiderati Ribeiro e de Marcos Leandro de Oliveira Serra, conhecido pelo apelido de “Kiko”. Ambos foram interceptados durante o transporte de uma carga com mais de 100 quilos de cocaína na Avenida Brasil, uma das principais vias expressas da capital fluminense.
Segundo os elementos e provas reunidos pelas apurações das autoridades policiais, os investigados integravam uma estrutura criminosa altamente organizada, responsável pela aquisição, transporte e distribuição de grandes volumes de entorpecentes e armamentos destinados ao Comando Vermelho. O grupo operava com uma clara divisão de tarefas e atuação coordenada entre seus integrantes.
Nesse cenário, as apurações demonstraram que “Kiko” exercia uma função de relevância na articulação logística do tráfico de drogas, mantendo contato direto com lideranças da organização criminosa para viabilizar o transporte e garantir o abastecimento de entorpecentes nas áreas sob o domínio do grupo.
A análise de dados telemáticos e o monitoramento de interceptações telefônicas também evidenciaram uma constante interlocução de “Kiko” com Manoel Cinquine Pereira, vulgo “Paulista”. O investigado atuava como um elo estratégico entre os diferentes componentes da rede responsável pela distribuição das substâncias ilícitas.
A investigação policial apontou ainda que “Paulista”, identificado como uma das lideranças do Comando Vermelho no Complexo da Penha, participava ativamente da articulação das atividades ligadas à compra e ao repasse de drogas e armas, além de coordenar os membros encarregados do abastecimento logístico da facção.
O inquérito revelou que os policiais militares investigados usavam suas posições funcionais e a condição de agentes de segurança pública para servir ao crime organizado. Entre as condutas identificadas, os agentes atuavam ao lado da facção repassando informações sigilosas sobre operações policiais e participando de negociações clandestinas envolvendo armas e munições.
Entre os alvos denunciados na ação está o policial militar Eric da Silva Lobato, apontado pelas investigações como integrante do esquema de comércio ilegal de armas de fogo, munições e acessórios bélicos.
Outro nome identificado no inquérito foi o de Luciano Santos de Oliveira, conhecido como “Hot Wheels”, apontado como liderança do tráfico de drogas em diversas comunidades situadas no município de São João de Meriti. De acordo com o apurado, ele mantinha vínculos com a organização e recebia dados privilegiados sobre operações policiais iminentes, fornecidos diretamente pelo policial militar Yuri Luiz Desiderati Ribeiro.
Apontado como um dos principais alvos e articuladores do esquema, o ex-PM Yuri Luiz foi assassinado em 12 de julho de 2026, no bairro do Pechincha, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Na ocasião, ele foi atingido por múltiplos disparos de arma de fogo no momento em que chegava ao condomínio onde residia. As circunstâncias e a autoria do homicídio seguem sob investigação pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).
A denúncia inclui ainda outros três investigados: Paulo Victor Soares de Melo, Leonardo Aguiar da Silva e Kauan Soares Omero, conhecido como “Do Serrão”. Eles foram identificados como integrantes do braço armado do Comando Vermelho e exerciam funções ligadas à segurança das lideranças do tráfico e à vigilância territorial, atuando ostensivamente com o uso de armas de fogo para assegurar o domínio criminoso nas regiões dominadas pela facção.
Fonte: Brasil 247