Preços de combustíveis sobem com pressão internacional; diesel da REAM custa o dobro do produto da Petrobras

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Por Leonardo Sobreira — Brasil 247

247 – O Ineep divulgou nesta quinta-feira (15) o 41º Boletim de Preços, apontando alta nos combustíveis tanto na produção quanto na revenda. Em setembro, impulsionado pela escalada do conflito no Oriente Médio, o preço médio mensal do barril de Brent saltou de US$ 91,08 para US$ 114,16. O avanço de 25,3% representa o segundo maior aumento do ano entre médias mensais consecutivas.

A retomada da alta internacional impactou sobretudo o diesel, que registou um encarecimento de 3,8% no preço médio de revenda — o primeiro aumento mensal desde abril. O cenário reflete restrições globais na oferta de petróleo, gargalos no setor de refino e limitações às exportações russas, fatores que até então ajudavam a conter os preços no Brasil. Como o país ainda importa quase um quarto do diesel que consome, o mercado doméstico permanece altamente vulnerável a essas oscilações externas.

Já a gasolina manteve-se relativamente estável, beneficiada por reduções tributárias do governo federal criadas para amortecer o choque externo. Enquanto o preço médio dos produtores subiu apenas R$ 0,06 por litro, a maior variação ocorreu na margem bruta de distribuição e revenda, que avançou R$ 0,31.

“Esse movimento evidencia dificuldades no repasse das variações dos preços nas etapas anteriores da cadeia e dos efeitos da desoneração tributária ao consumidor e reforça os limites da coordenação estatal do setor, sobretudo após a privatização da BR Distribuidora, concluída em 2021”, destaca o boletim, assinado pelo pesquisador do Ineep Iago Montalvão.

O Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) registrou uma leve alta de 0,4%, mas segue em uma trajetória de estabilidade desde maio. Vale ressaltar que a margem bruta de distribuição e revenda continua respondendo por mais da metade do preço final do botijão.

No cenário do refino, a Petrobras manteve os menores valores para todos os combustíveis analisados. Em contrapartida, as refinarias privatizadas seguiram alinhadas ao Preço de Paridade de Importação (PPI), chegando a praticar valores superiores a esse indicador em diversos casos.

Essa disparidade fica evidente no mercado de diesel: a REAM-AM, privatizada em 2022, vendeu o litro a R$ 7,34 — mais que o dobro da média de R$ 3,31 registrada pelas unidades da Petrobras.

A política de preços da estatal também teve papel decisivo em conter a alta do GLP nas refinarias. Enquanto o PPI do gás disparou 24,1% em setembro — o que elevaria o preço médio para R$ 51,37 caso o repasse fosse integral —, a Petrobras comercializou o produto a R$ 34,67, um valor cerca de um terço inferior à referência internacional.

Fonte: Brasil 247

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