Posts impulsionados atacam Lula após proibição das bets
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – Nos dias seguintes à assinatura da Medida Provisória (MP) que proíbe as apostas esportivas e os cassinos online no Brasil, o presidente Lula (PT) virou alvo de uma ofensiva coordenada de publicações impulsionadas na internet, segundo levantamento divulgado pelo portal Metrópoles. A estratégia digital busca conter o impacto eleitoral positivo da decisão governamental ao atribuir erroneamente ao atual mandatário a liberação das chamadas bets e plataformas como o Jogo do Tigrinho. A medida drástica adotada pelo Palácio do Planalto ocorre em meio a um cenário de forte endividamento popular e críticas severas do chefe do Executivo contra a exploração comercial da ludopatia.
Anúncios pagos em seis estados disseminam desinformação sobre a origem das bets
O monitoramento das redes sociais revelou que, em apenas 48 horas após a edição da MP, sete publicações idênticas em seu teor impreciso foram impulsionadas em seis estados diferentes por figuras políticas e páginas partidárias. No Amazonas, o candidato a deputado federal Hissa Abrahão (Republicanos) investiu recursos financeiros para veicular um anúncio que alcançou até um milhão de usuários, tentando imputar ao presidente a responsabilidade pela proliferação dos jogos eletrônicos. Movimento semelhante ocorreu no Rio Grande do Sul com o candidato a deputado estadual Professor Cláudio Branchieri (PL), evidenciando uma tentativa regionalizada de desgaste político baseada na distorção cronológica dos fatos legislativos brasileiros.
Contexto histórico desmente autoria da liberação
A narrativa disseminada nas redes sociais ignora deliberadamente a linha do tempo regulatória do setor de apostas no país. Na realidade, a autorização inicial para o funcionamento de sites de apostas esportivas em quota única ocorreu no ano de 2018, durante a gestão do ex-presidente Michel Temer (MDB). O avanço desregulado dos cassinos online, contudo, operava em uma zona cinzenta da legislação até dezembro de 2023, período em que a administração Lula sancionou uma lei específica para impor obrigações fiscais e operacionais, exigindo o pagamento de outorgas milionárias para a regularização corporativa antes da atual proibição total.
Ataques eleitorais e estratégias de oposição mobilizam recursos financeiros nas plataformas
A ofensiva digital ganhou tração com a participação de diversos outros nomes ligados à oposição em diferentes regiões do país. No Mato Grosso, a candidata à presidência Clariana Barão (DC) e o candidato a deputado federal Nilson Leitão (PP) impulsionaram conteúdos classificando a intervenção governamental como manobra marqueteira. Na Paraíba, uma página replicou vídeos da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) endossando os ataques, enquanto no Ceará e no Paraná parlamentares utilizaram inserções pagas para distorcer os prazos legais da suspensão das atividades. A reação coordenada consolida o debate sobre as apostas virtuais como o epicentro da disputa de narrativa nas redes sociais, reforçando o esforço institucional do governo para reverter os prejuízos sociais acumulados pelas classes trabalhadoras.
Fonte: Brasil 247