Polícia apreende R$ 686 mil com ex-assessor de Milton Leite, que está foragido
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – A Polícia Civil de São Paulo encontrou, nesta sexta-feira (18), R$ 280 mil em espécie e US$ 79 mil — valor equivalente a cerca de R$ 406 mil no câmbio do dia —, totalizando aproximadamente R$ 686 mil, na residência de um ex-assessor ligado a Milton Leite, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, em Sorocaba, no interior do estado, segundo o Metrópoles. Todo o montante localizado durante a ação policial foi devidamente apreendido pelas autoridades.
A operação policial no endereço em Sorocaba tinha como objetivo principal localizar e prender o próprio ex-parlamentar, mas as autoridades não o encontraram no local. Milton Leite é um dos alvos de mandado de prisão temporária expedido no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte coletivo por ônibus na capital paulista.
Procurado há mais de 24 horas, o ex-político é considerado foragido pela Justiça. Na quinta-feira (17), o ex-vereador declarou que não estava fugindo e assegurou que se entregaria à polícia em breve. “Eu vou me apresentar, eu pedi 24 horas para poder me apresentar. Não estou me escondendo não”, afirmou Leite. Em sua defesa, ele argumentou que se encontrava em viagem pelo interior paulista para acompanhar a campanha eleitoral de seu filho, Milton Leite Filho (União), candidato a uma vaga na Câmara dos Deputados.
A Operação Vectura Corrupta foi deflagrada de forma conjunta pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). A Justiça decretou a prisão temporária de 16 investigados por suspeita de participação no esquema de infiltração do crime organizado no sistema de transporte público municipal. Até o momento, 10 pessoas foram presas e outras seis permanecem sendo procuradas pelas forças de segurança.
De acordo com declarações do delegado Fabricio Intelizano prestadas em entrevista coletiva à imprensa, os investigados permanecerão presos temporariamente pelo prazo de 30 dias, período que poderá ser prorrogado por igual duração. As investigações prosseguem com o objetivo de detalhar a responsabilidade e o nível de participação de cada suspeito na organização criminosa.
Além de Milton Leite, o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira também é um dos alvos da investigação e foi preso na quinta-feira. As autoridades cumpriram ainda outros 18 mandados de busca e apreensão espalhados por municípios da capital, do interior e do litoral paulista.
As apurações policiais e do MPSP constataram que pelo menos 12 das 22 empresas concessionárias de transporte coletivo de São Paulo seriam, em tese, controladas pelo PCC. A infiltração ocorria por meio de uma estrutura altamente organizada, que combinava a utilização de empresas de fachada, o direcionamento ilícito de licitações públicas, apoio político e esquemas de lavagem de dinheiro.
Em relação às investigações, a defesa de Levi dos Santos Oliveira declarou ter sido surpreendida com a decretação da prisão e informou que aguarda acesso integral aos autos do processo para adotar as medidas jurídicas cabíveis.
A Prefeitura de São Paulo informou, em nota oficial, que a intervenção decretada na empresa Transwolff, em abril de 2024, consistiu em uma medida preventiva adotada para proteger o sistema municipal de transporte. Na mesma época, a administração municipal determinou a intervenção na empresa UPBus, “mesmo sem qualquer solicitação da Justiça”. O Poder Executivo da capital afirmou que atua com rigor, inclusive promovendo o encerramento de contratos para preservar o interesse público e evitar prejuízos à população.
A prefeitura comunicou também a abertura de processo administrativo por meio da Controladoria-Geral do Município contra as empresas investigadas e destacou que colabora ativamente com o Ministério Público e com a Polícia Civil nos trabalhos de investigação.
Por sua vez, a Câmara Municipal de São Paulo informou, também em nota, que acompanha atentamente os desdobramentos das apurações conduzidas pelo MPSP em conjunto com a Polícia Civil e o Poder Executivo, aguardando as conclusões oficiais do caso.
Fonte: Brasil 247