PGR pede investigação da atuação de Flávio Bolsonaro no Congresso para beneficiar o Master

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um inquérito para investigar a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do PL à Presidência da República, no financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro (PL). A decisão atende a uma indicação da Polícia Federal (PF), que aponta a suspeita de prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e organização criminosa.

A apuração foi instaurada em julho e veio a público nesta sexta-feira (11), após o ministro André Mendonça atender a uma solicitação do presidente do STF, ministro Edson Fachin, e retirar o sigilo do caso envolvendo o Banco Master. Apenas as informações relacionadas a diligências em andamento e que pudessem ser prejudicadas foram mantidas em segredo de Justiça.

“A Polícia Federal requer a instauração de PET sigilosa em apartado, vinculada ao INQ 5026, para apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese, pelo Senador da República Flávio Nantes Bolsonaro, no contexto de financiamento para a produção de obra cinematográfica denominada Dark Horse junto ao Banco Master do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro”, escreveu Mendonça em sua decisão. O magistrado autorizou a abertura do procedimento investigatório para averiguar a hipótese criminal apresentada pelos policiais.

PGR cobra varredura de matérias no Congresso e buscas em aparelhos

No âmbito da investigação, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se favoravelmente à abertura do inquérito e solicitou ações adicionais. Gonet pediu que a Polícia Federal mapeie todas as propostas legislativas apresentadas por Flávio Bolsonaro e pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP) que sejam de interesse do Banco Master e de outras empresas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O chefe do Ministério Público Federal solicitou ainda a análise pericial de todos os aparelhos eletrônicos apreendidos no decorrer das operações relativas ao caso Master, com o objetivo de identificar eventuais menções diretas aos parlamentares.

Operação da PF e o uso de emendas parlamentares

A apuração que envolve o deputado Mario Frias integra um inquérito distinto sob relatoria do ministro Flávio Dino. O foco da apuração está no suposto emprego de dinheiro público, repassado por meio de emendas parlamentares, para a realização do longa-metragem “Dark Horse”.

Mario Frias atua como diretor-executivo da produção. Na quinta-feira (10), o deputado, a produtora Karina da Gama e outras 20 pessoas foram alvos de mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. De acordo com a PF, há indícios de conexão entre os recursos do Instituto Conhecer Brasil (ICB) — entidade que recebeu R$ 2 milhões de emendas destinadas por Frias em 2024 — e a produtora Go Up Entertainment, responsável direta pelo filme. Karina da Gama figura como sócia de ambas as empresas.

Articulação internacional e o fluxo financeiro

Conforme os documentos desautorizados do sigilo por André Mendonça, a Polícia Federal aponta que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teria orientado a forma como os recursos destinados ao filme seriam geridos no exterior. A engenharia envolveria o fundo Havengate, localizado no estado do Texas, nos Estados Unidos, sob a administração do advogado Paulo Calixto, pessoa próxima a Eduardo.

A PF relatou que o fundo permaneceu sem atividades operacionais por quatro anos até registrar, em 13 de fevereiro de 2025, o recebimento de uma remessa de US$ 2 milhões enviada pela empresa Entre Investimentos. No total, o planejamento previa o repasse de US$ 24 milhões (cerca de R$ 122 milhões) da parte de Daniel Vorcaro. Contudo, as transferências foram interrompidas em razão da prisão do ex-banqueiro.

A empresa Entre Investimentos pertence ao empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”. Ele formalizou um acordo de colaboração premiada com a PGR, homologado pelo ministro André Mendonça nesta semana.

Fonte: Brasil 247

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