PF prende parlamentar Jorge Canella com dois fuzis e uma submetralhadora

0

Por Leonardo LucenaBrasil 247

247 – A Polícia Federal prendeu em flagrante nesta terça-feira (22) o vereador do Rio de Janeiro Jorge Canella (União Brasil) após agentes encontrarem dois fuzis e uma submetralhadora em um imóvel na Barra da Tijuca (RJ). De acordo com o G1, a ação ocorreu durante a sétima fase da Operação Unha e Carne e apura a posse de armas de fogo de uso restrito. A PF confirmou que cumpriu três mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Os agentes levaram o vereador e o armamento para a Superintendência Regional da PF no Rio. A corporação informou que encontrou as três armas em situação que considerou incompatível com a legislação e lavrou o auto de prisão em flagrante. Canella poderá responder por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.

A PF não havia expedido mandado de prisão contra o parlamentar. A prisão ocorreu durante as buscas, depois que os policiais localizaram as armas na residência do vereador. Jorge Canella também é coronel da reserva da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Operação cumpriu buscas em três endereços

Os policiais federais fizeram diligências na Barra da Tijuca, no Recreio dos Bandeirantes e na Câmara Municipal do Rio. O STF autorizou as medidas judiciais no âmbito das investigações da Operação Unha e Carne.

A Polícia Federal afirma que a nova etapa integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela corporação para enfrentar organizações criminosas com atuação no estado do Rio de Janeiro. A PF relaciona o trabalho às diretrizes estabelecidas pelo STF na ADPF 635.

Depois da apreensão, os investigadores encaminharam os dois fuzis e a submetralhadora para os procedimentos policiais e periciais. A apuração deverá examinar a situação documental das armas e as circunstâncias em que o parlamentar as mantinha no endereço alvo da operação.

Defesa diz que armas estavam legalizadas

A defesa de Jorge Canella contesta a avaliação apresentada pela Polícia Federal e sustenta que o vereador possuía documentação para o armamento. Segundo o advogado Gabriel Miranda, o problema envolvia o endereço registrado para as armas.

“A defesa do vereador Jorge Canella acompanhou a diligência realizada pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira e reforça que todas as armas encontradas em sua residência eram de sua propriedade e estavam legalizadas.

O político, que é coronel da Polícia Militar, sempre pautou sua atuação na corporação de forma proba e ilibada e possuía o certificado do armamento.

O único questionamento que ensejou o encaminhamento do vereador à Superintendência da PF foi a divergência de endereço de registro das armas, procedimento administrativo que já vinha sendo adotado por ele, em razão de mudança de endereço recente com a sua família.

O vereador Jorge Canella confia plenamente na Justiça e esclarecerá todos os questionamentos o mais breve possível para que a verdade seja restabelecida.” A Polícia Militar informou que também analisará o episódio sob o aspecto disciplinar.

Sétima fase tem relação com investigação iniciada em julho

A nova operação ocorre depois da sexta fase da Unha e Carne, realizada em julho. Naquela ocasião, a PF prendeu em flagrante Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, após localizar um fuzil calibre 5,56 em um veículo usado pelo político durante o cumprimento de mandados.

Jorge Canella e Márcio Canella são pessoas diferentes. Apesar do sobrenome e da relação política entre os dois, eles não têm parentesco. A sexta fase investigava suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio. 

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) citado na investigação apontou movimentação superior a R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos. A PF apurava a eventual participação de agentes públicos no esquema.

STF revogou cautelares de Márcio Canella em julho

Márcio Canella permaneceu preso após a detenção em 7 de julho e deixou o sistema penitenciário no dia 11, depois que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, concedeu liberdade provisória com medidas cautelares, entre elas monitoramento eletrônico.

Em 24 de julho, Moraes revogou as restrições. Segundo o STF, documentos apresentados posteriormente comprovaram a regularidade das armas analisadas naquele episódio e, naquele momento, não havia elementos que apontassem para a prática do crime relacionado ao armamento. As demais linhas de investigação continuaram separadamente.

A sétima fase agora concentra a apuração sobre as armas encontradas com Jorge Canella. A PF sustenta que havia irregularidade na forma como o vereador mantinha os dois fuzis e a submetralhadora, enquanto a defesa afirma que os certificados estavam válidos e atribui a controvérsia à atualização do endereço de registro.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *