PF aponta divergência de quase R$ 50 milhões em verbas de filme sobre Bolsonaro

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Por Redação — Brasil de Fato

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A Polícia Federal (PF) apontou a existência de uma “divergência contábil severa”, de US$ 9,5 milhões (cerca de R$ 48,1 milhões na cotação atual), nas movimentações financeiras internacionais destinadas ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso e condenado por tentativa de golpe.

Segundo relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), dados das remessas indicam que mais de US$ 12,3 milhões saíram do país com destino a um fundo nos Estados Unidos, enquanto a entrada documentada no Brasil alcançou apenas US$ 2,8 milhões. A apuração aponta essa lacuna sem comprovação contábil equivalente.

Diante das discrepâncias, a corporação solicitou ao ministro do STF André Mendonça a prorrogação do inquérito por mais 90 dias para submeter todo o acervo bancário a uma perícia forense. Uma das principais hipóteses investigadas pela polícia é se a produção cinematográfica foi utilizada como “narrativa de cobertura para a ocultação, simulação e desvio de recursos”.

As investigações policiais avaliam possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e organização criminosa.

As investigações apontam que os repasses partiram da empresa Entre Investimentos, ligada ao empresário Antônio Carlos Freixo Júnior e ao ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro, e foram direcionados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas.

O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Mensagens e áudios obtidos pela PF indicam a participação direta do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) na cobrança e no acompanhamento dos aportes financeiros de Vorcaro.

Paralelamente, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) recebeu um alerta do Braza Bank referente ao recebimento de R$ 975,6 mil pela produtora brasileira Go UP Entertainment Ltda., vindo de uma empresa homônima nos Estados Unidos (Go UP Entertainment LLC).

A PF identificou que a produtora apresentou contratos de câmbio com informações contraditórias, incluindo empréstimos de cerca de R$ 4,6 milhões com prazos de 730 dias sem juros e quatro datas diferentes de assinatura, além de omitir as contas bancárias de origem. A polícia notificou a empresa a apresentar a fundamentação contratual completa em dez dias.

Em outra frente conduzida pelo ministro Flávio Dino, instaurada a pedido da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), a PF investiga a destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares indicadas pelo deputado federal Mario Frias.

As verbas públicas foram direcionadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à Academia Nacional de Cultura (ANC), entidades presididas por Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go UP. Frias atua como roteirista e produtor-executivo do longa-metragem.

Em junho deste ano, a produtora Go UP declarou em um laudo privado que a obra custou R$ 75,1 milhões, alegando que R$ 54 milhões teriam sido gastos diretamente no exterior e R$ 20,9 milhões no Brasil, montante que também passará por checagem pericial.

Em nota, a defesa da produtora Go UP disse que a perícia técnica demonstrará a legalidade e a lisura de todas as captações financeiras da obra.

Eduardo Bolsonaro negou ter recebido repasses do fundo Havengate e afirmou que o reembolso de US$ 50 mil investidos na produção não passou por contas ligadas a Vorcaro.

O deputado Mario Frias disse ao STF que as emendas parlamentares de sua autoria não foram utilizadas para financiar a produção do filme.

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Fonte: Brasil de Fato

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