Pernambuco: oposição avança com pedido de impeachment contra a vice-governadora na Alepe
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O processo de solicitação de impeachment apresentado pela bancada de oposição contra a vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause (PSD), deu um novo passo na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). O presidente da Casa Legislativa, deputado Álvaro Porto (MDB), determinou o encaminhamento da denúncia à Procuradoria-Geral da Alepe. O órgão jurídico interno da Assembleia será o responsável por avaliar os aspectos legais e formais da peça probatória, emitindo parecer fundamentado para subsidiar a decisão da presidência sobre o prosseguimento e a admissibilidade do pedido de cassação.
A iniciativa para o impedimento de Priscila Krause — medida que pode resultar na cassação de seu mandato e na decretação de sua inelegibilidade — partiu do vice-presidente da Alepe, deputado Rodrigo Farias (PSB), juntamente com o líder da oposição, deputado Sileno Guedes (PSB), e o vice-líder da bancada, deputado Romero Albuquerque (PSB). A representação oficial foi protocolada junto à Mesa Diretora do Legislativo pernambucano ainda no mês de agosto.
A acusação formulada pelos parlamentares tem como pilar central as conclusões de um relatório do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS). O documento oficial do órgão federal comprovou a existência de graves irregularidades na transferência de recursos públicos do Governo estadual, sob a gestão da governadora Raquel Lyra e de Priscila Krause, para o Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. A instituição privada de saúde tem como sócio o empresário Jorge Branco Neto, marido da vice-governadora.
De acordo com o relatório conclusivo emitido pelo DenaSUS, as investigações constataram a efetivação de pagamentos indevidos e a ausência total de comprovação referente à prestação de 90 sessões de hemodiálise. Além disso, foram identificadas irregularidades em 113 autorizações de internação hospitalar (AIH) destinadas a procedimentos, tratamentos e cirurgias de alta complexidade na área de oncologia. No total, o dano financeiro gerado aos cofres públicos foi estimado em quase R$ 1 milhão.
Antes do envio formal das conclusões aos órgãos de controle externo, o DenaSUS ouviu as justificativas da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco. Contudo, o órgão de auditoria concluiu que os esclarecimentos prestados pela pasta estadual foram insuficientes para afastar as irregularidades detectadas. Diante dos indícios de transgressões administrativas e possíveis condutas ilícitas, o DenaSUS formalizou o envio dos autos do processo à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, solicitando a apuração de eventuais responsabilidades administrativas e criminais envolvendo integrantes do Governo Raquel/Priscila e a direção da unidade hospitalar privada.
Fonte: Brasil 247