País de escala continental, natureza exótica e praias paradisíacas é o melhor lugar do mundo para sobreviver a uma catástrofe global — e não é o Brasil
Por Isabella Scaramucci — Seu Dinheiro

Alguns cenários de catástrofe global podem não ser tão hipotéticos quanto parecem. Afinal, já existem estudos que buscam identificar quais países estariam mais bem preparados para sobreviver.
Um desses estudos, publicado na revista científica Global Challenges, deu uma resposta que, em princípio, poderia animar muitos brasileiros. Trata-se de um país de tamanho continental, conhecido por suas praias exuberantes, natureza paradisíaca e animais exóticos.
Esta nação foi testada em diversos cenários: guerras nucleares, impactos de asteroides, erupções vulcânicas, pandemias e até ataques cibernéticos de larga escala entraram na análise. E, mesmo assim, ela conseguiu resistir em todos.
Não é o Brasil, porém. Esse país é a Austrália. Segundo uma ampla revisão da literatura científica, o país reúne o conjunto mais abrangente de características associadas à resiliência diante das mais diversas situações.
O plano dos especialistas
Considerando apenas eventos capazes de causar a morte de pelo menos 10% da população mundial, os pesquisadores fizeram uma revisão de trabalhos acadêmicos utilizando o OpenAlex, uma base bibliográfica analítica e aberta.
Com isso, buscaram identificar um consenso de quais características geográficas, políticas, econômicas e sociais seriam as preferíveis para enfrentar uma catástrofe global.
E, quando o assunto foi a capacidade de manter serviços essenciais, se recuperar e se adaptar após eventos difíceis, a Austrália se destacou.
Por que a Austrália?
Um dos principais fatores é o isolamento geográfico. Distante dos grandes centros populacionais e políticos do Hemisfério Norte, o país pode ter vantagem em cenários como guerras e pandemias.
Essa característica também facilita o controle das fronteiras, embora a Austrália mantenha uma forte dependência da importação de produtos essenciais, como medicamentos, combustíveis e fertilizantes.
O tamanho do país também é um ponto atraente: como o sexto maior do mundo e apresentando diferentes zonas climáticas e recursos naturais, a Austrália possui áreas favoráveis à agricultura.
Por fim, o que também foi constatado é que o país ainda conta com recursos energéticos — carvão e gás natural — e uma base industrial relativamente robusta, o que ajudaria a manter parte da infraestrutura funcionando em alguns cenários.
E o Brasil?
O Brasil e a Argentina também não se saíram tão mal no estudo. Ambos estão majoritariamente localizados no Hemisfério Sul, possuem vastos territórios e são importantes produtores de alimentos.
No entanto, a governança pesou na avaliação dos países. Associada a instituições eficientes, menor desigualdade e maior coesão social, ela amplia a capacidade das nações de responder a crises, organizar recursos e coordenar ações de emergência.
Nesse sentido, fatores históricos como a desigualdade social e a instabilidade política foram apontados no estudo como capazes de reduzir a resiliência dos dois países.
Apesar da Austrália reunir o conjunto mais amplo de características favoráveis na literatura analisada, o estudo afirma ainda que há existe um lugar completamente seguro diante de uma catástrofe global, e destaca que cada região apresenta vantagens e vulnerabilidades diferentes.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.
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Fonte: Seu Dinheiro