PF aponta que Eduardo Bolsonaro orientou gestão de recursos de Dark Horse nos EUA

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) foi apontado pela Polícia Federal (PF) como o responsável por orientar a gestão de recursos nos Estados Unidos destinados ao filme “Dark Horse”, cinebiografia de seu pai, Jair Bolsonaro (PL). De acordo com as investigações da corporação, o fundo Havengate, sediado no estado norte-americano do Texas e administrado por Paulo Calixto — advogado próximo a Eduardo —, permaneceu sem operação por quatro anos até passar a receber repasses para supostamente financiar o longa-metragem.

Segundo o relatório da Polícia Federal, o fundo receberia do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a quantia de US$ 24 milhões (equivalente a cerca de R$ 122 milhões). No entanto, o envio das verbas foi interrompido após a prisão de Vorcaro.

As informações integram as investigações do chamado caso Master. O sigilo do material foi retirado na noite de quinta-feira (10) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em atendimento a um pedido do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

Fundo imobiliário inerte e reativação para o filme

Na representação elaborada pela PF, a corporação faz referência a uma reportagem do portal Intercept, que visitou o local onde deveria funcionar um empreendimento imobiliário do Havengate nos Estados Unidos e não encontrou qualquer construção. Criado originalmente em 2020 para um projeto imobiliário estimado em US$ 21 milhões, o fundo não possui nenhuma propriedade em seu nome até o momento.

A gestora do fundo, denominada Calixsan Capital Management LLC e controlada por Paulo Calixto e Altieris Santana, cancelou seu registro como gestora regulada de investimentos no Texas, em maio de 2021, e na Flórida, em setembro de 2021. De acordo com a PF, o cancelamento ocorreu no período em que as obras deveriam estar em andamento, segundo o próprio cronograma do projeto.

“O fundo permaneceu juridicamente ativo, mas operacionalmente inerte por quase quatro anos, sem qualquer atividade pública registrada — até receber, em 13/02/2025, a primeira remessa de US$ 2.000.000,00 proveniente da ENTRE INVESTIMENTOS para financiamento do filme”, aponta a representação policial.

A Entre Investimentos pertence ao empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. O empresário firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), assinado e homologado pelo ministro André Mendonça nesta semana.

Para os investigadores da Polícia Federal, “a reativação de um fundo originalmente criado para fins imobiliários, dormente por anos, sem lastro em qualquer operação imobiliária ativa, como veículo de remessas internacionais vinculadas a uma produção cinematográfica, constitui circunstância objetiva que reforça a necessidade de apuração da compatibilidade entre o perfil do veículo financeiro utilizado e a destinação declarada dos recursos”.

Mensagens e indicação de Eduardo Bolsonaro

Para embasamento do pedido de abertura de inquérito sobre o financiamento da produção cinematográfica, a PF também citou a troca de mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda. As mensagens, reveladas pelo Intercept Brasil, indicam que Eduardo Bolsonaro teria orientado a gestão financeira nos Estados Unidos e sugerido o uso do Havengate.

“No mês de março de 2025, THIAGO MIRANDA informou a DANIEL VORCARO que ‘Flavio B e Eduardo’ pretendiam marcar reunião com ele a respeito do filme. Na sequência, como já mencionado, foi encaminhada captura de tela de conversa atribuída a Eduardo Bolsonaro, com orientações sobre a gestão dos recursos nos Estados Unidos”, detalha o relatório.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) endossou o pedido de investigação apresentado pela PF e ressaltou que Eduardo Bolsonaro colocou a estrutura do fundo “para operar o esquema”. O órgão destacou a captura de tela de uma conversa atribuída ao ex-deputado na qual ele colocou Altieris Chaves Santana, diretor da empresa Havengate Development Fund GP LLC e sócio do fundo, à disposição.

Na mensagem enviada, Eduardo Bolsonaro afirmou: “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos. Meu receio é que você seja solicito, bom coração, mas tenha essa dificuldade. Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, como o remetente atual e etc. Será que conseguimos? Nos dá amanhã um feedback desta sua reunião de hoje a noite, por favor? O Altieris Santana está a disposição, inclusive voa para fazer reunião pessoal com quem quer que seja”.

Embora o STF tenha tornado públicos os documentos da representação da PF e da PGR referentes ao caso Master, o inquérito específico sobre a produção “Dark Horse” e suas respectivas diligências seguem sob sigilo. A decisão do ministro André Mendonça manteve em segredo os procedimentos investigativos em andamento que supostamente poderiam ser prejudicados caso houvesse divulgação prévia.

Fonte: Brasil 247

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