Osteoporose pode passar anos sem sintomas e só ser descoberta após uma fratura; veja quem corre mais risco
Por Raunner Vinícius Soares — Jornal Opção

A osteoporose afeta cerca de 10 milhões de brasileiros e segue sendo uma das doenças mais preocupantes do envelhecimento. Apesar de não provocar sintomas evidentes em seus estágios iniciais, a enfermidade enfraquece os ossos gradualmente e pode ser descoberta apenas após a ocorrência de uma fratura.
Ao Jornal Opção, o médico ortopedista Maurício Leite, membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), explicou, nesta quarta-feira, 14, os principais fatores de risco, formas de prevenção e consequências da doença.
Segundo o especialista, a osteoporose é considerada uma doença silenciosa justamente porque a perda de massa óssea acontece sem sinais perceptíveis para a maioria dos pacientes.

“Ela é considerada silenciosa porque não tem sintomas propriamente sentidos ou percebidos pelo paciente. Assim como acontece com a pressão alta, a pessoa pode conviver com a condição durante anos sem perceber. Com a osteoporose ocorre o mesmo. É possível perder massa óssea sem desenvolver nenhum sinal, até que seja realizada uma densitometria óssea, exame que identifica essa alteração”, afirmou.
Ao contrário do que muitos imaginam, a prevenção não está relacionada a problemas comuns da infância. De acordo com o ortopedista, trata-se de uma doença fortemente ligada ao processo de envelhecimento.
“A população com maior risco de desenvolver osteoporose é composta por mulheres na pós-menopausa. Com a menopausa, a alteração hormonal afeta diversos sistemas do organismo e aumenta a propensão ao desenvolvimento da doença. Por isso, as mulheres nessa faixa etária devem realizar a densitometria óssea regularmente”, explicou.
Nos homens, a doença é menos frequente, mas também requer atenção em situações específicas. “Os homens também podem desenvolver osteoporose. Ela é muito mais frequente em mulheres, especialmente nas mais magras. Também é mais comum em fumantes”, disse.
“Homens fumantes, por exemplo, devem iniciar essa avaliação mais cedo. Além disso, pacientes que utilizaram corticoides por longos períodos, como aqueles com alergias crônicas ou doenças sistêmicas, precisam fazer um acompanhamento voltado para a osteoporose”, destacou.
Hábitos cotidianos influenciam diretamente a saúde óssea
Segundo o médico, a alimentação inadequada figura entre os principais fatores associados ao desenvolvimento da osteoporose. “A alimentação é realmente um dos fatores mais importantes. Dietas com baixa concentração de cálcio ao longo da vida reduzem esse estoque no organismo e podem levar ao surgimento de uma osteoporose mais precoce ou mais severa”, disse.
A exposição solar adequada é apontada pelo especialista como um fator importante para a prevenção da osteoporose. “A vitamina D é ativada pela exposição ao sol e tem a função de direcionar o cálcio para dentro dos ossos, fortalecendo sua estrutura. Quando a pessoa não se expõe ao sol, existe uma tendência ao enfraquecimento ósseo”, afirmou.
Além disso, o tabagismo e o sedentarismo também aparecem como fatores de risco relevantes. “O cigarro é um fator de risco para o desenvolvimento da osteoporose. Já a atividade física, especialmente os exercícios de carga e de força, ajuda tanto na prevenção quanto no tratamento da doença. Por isso, o sedentarismo é um grande fator de risco”, ressaltou.
Pós-menopausa exige acompanhamento frequente
Para as mulheres que entram na menopausa, a recomendação é manter acompanhamento regular com o ginecologista e incluir a avaliação da saúde óssea nos exames de rotina.
“A consulta frequente com a ginecologista é fundamental. Nesse período, além das avaliações relacionadas ao útero, às mamas e aos riscos de câncer, a densitometria óssea deve passar a fazer parte do acompanhamento, podendo ser realizada anualmente ou a cada dois anos, dependendo dos resultados”, explicou.
Segundo o médico, a estratégia permite identificar alterações antes do aparecimento de sintomas. “Esse processo de rastreamento possibilita identificar precocemente alterações em pessoas que ainda não apresentam sintomas e, assim, iniciar o melhor tratamento”, afirmou.
Fraturas aumentam risco de dependência e até de mortalidade
As consequências da osteoporose geralmente aparecem por meio das fraturas. Embora a consolidação óssea seja semelhante à observada em outros pacientes, a fragilidade do osso faz com que traumas leves provoquem lesões importantes.
“Quem tem osteoporose apresenta uma tendência muito maior a sofrer fraturas. Às vezes, uma simples queda da própria altura, que normalmente não causaria uma fratura, acaba provocando esse tipo de lesão devido ao enfraquecimento ósseo”, disse.
As regiões mais atingidas são o punho, a coluna e o colo do fêmur. “No caso das fraturas de punho, existe uma limitação funcional importante porque usamos as mãos em praticamente todas as atividades do dia a dia. Já as fraturas de coluna costumam ser mais silenciosas, mas podem causar dor lombar crônica, achatamento das vértebras e diminuição da altura do paciente”, explicou.
Sobre o colo do fêmur, o médico fez um alerta para a gravidade dos casos. “As fraturas do colo do fêmur exigem tratamento cirúrgico e estão associadas a índices elevados de mortalidade. Em até três anos após a fratura, a taxa de morte pode chegar a 50% dos casos. São situações que representam risco importante à vida do paciente”, afirmou.
Suplementação exige orientação médica
O ortopedista também chamou atenção para o consumo de vitaminas e suplementos divulgados em propagandas e redes sociais. “Qualquer tratamento deve ser prescrito pelo médico responsável pelo acompanhamento. O tratamento da osteoporose não envolve apenas medicamentos, mas também mudanças de hábitos, boa alimentação, prática de atividade física e exposição adequada ao sol”, destacou.
Segundo ele, a indicação medicamentosa deve variar conforme as necessidades individuais. “A prescrição pode incluir vitamina D, reposição de cálcio, quando necessária, e até medicamentos específicos que atuam diretamente no combate à osteoporose. Alguns diminuem a reabsorção óssea e outros ajudam a aumentar o aporte de cálcio para os ossos, melhorando sua qualidade”, explicou.
Alimentação equilibrada ajuda na prevenção
Além dos tratamentos disponíveis, uma alimentação balanceada também desempenha papel importante na prevenção da doença. “Vegetais, carnes, ovos, leite e derivados são alimentos ricos em vitamina D e cálcio, nutrientes importantes para quem quer prevenir ou tratar a osteoporose”, afirmou.
Por outro lado, o consumo excessivo de açúcar e sal pode ser prejudicial. “Alimentos ricos em açúcar ou sal aumentam a reabsorção do cálcio e reduzem a força dos ossos. Uma dieta saudável e equilibrada, dentro dos padrões mais simples do dia a dia, contribui significativamente para a prevenção da osteoporose”, disse.
Informação confiável é aliada da saúde
Ao final da entrevista, o especialista explicou sobre a importância da orientação médica diante da grande quantidade de informações disponíveis na internet e em campanhas publicitárias.
“Muitas vezes as pessoas veem uma propaganda na televisão ou na internet e acreditam que encontraram uma solução milagrosa para seus problemas. Nem sempre isso é verdade. O médico que acompanha o paciente é quem avalia os exames, observa a evolução do quadro e escolhe o melhor caminho para o tratamento”, afirmou.
O médico também alertou para os riscos da desinformação. “Existe muita informação que não corresponde à realidade. Isso movimenta muito dinheiro para algumas pessoas, mas nem sempre oferece os benefícios prometidos. Por isso, é fundamental buscar orientação adequada e baseada na avaliação individual de cada paciente”, concluiu.
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Fonte: Jornal Opção