Câncer de mama deve atingir 2,1 mil mulheres por ano em Goiás; especialista alerta para mitos sobre a doença

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Por Raunner Vinícius Soares — Jornal Opção

Câncer de mama deve atingir 2,1 mil mulheres por ano em Goiás; especialista alerta para mitos sobre a doença

O câncer de mama permanece como o tipo de tumor mais frequente entre as mulheres brasileiras, excluindo os casos de câncer de pele não melanoma. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o Brasil deverá registrar 78.610 novos casos por ano no período entre 2026 e 2028, o equivalente a um risco estimado de 71,57 ocorrências para cada 100 mil mulheres.

Em Goiás, a doença também ocupa a primeira posição entre as neoplasias mais incidentes na população feminina. Para o triênio 2026-2028, a previsão é de 2.150 novos diagnósticos anuais. Os dados indicam taxa bruta de 56,55 casos por 100 mil mulheres e taxa ajustada de 43,45 casos para cada 100 mil habitantes do sexo feminino.

O mês de conscientização sobre o câncer de mama amplia o debate sobre prevenção, detecção precoce e tratamento da doença. Ao lado de informações corretas, também circulam nas redes sociais orientações sem comprovação científica, receitas caseiras, relatos pessoais e promessas de resultados que podem gerar dúvidas em pacientes e familiares.

Segundo o oncologista Dr. Augusto Ribeiro Gabriel, do Hemolabor Centro Integrado de Oncologia, Hematologia e Diagnóstico, o excesso de informações disponíveis pode dificultar a compreensão sobre o que realmente faz parte dos cuidados relacionados ao câncer de mama.

O especialista destaca que muitas publicações apresentam recomendações genéricas, sem levar em consideração que cada diagnóstico possui características próprias. Conforme explica o médico, a palavra câncer reúne diferentes doenças, cada uma com comportamento, prognóstico e tratamento específicos.

As dúvidas mais frequentes nos consultórios envolvem o papel do autoexame das mamas. De acordo com o oncologista, a observação de alterações pode incentivar a procura por atendimento médico, mas não substitui os exames de rastreamento nem a avaliação profissional.

Os pacientes também costumam questionar se a presença de um nódulo significa necessariamente um diagnóstico de câncer. O médico esclarece que diversas alterações benignas podem provocar nódulos mamários, tornando indispensável a investigação adequada para identificar a origem da alteração.

Produtos naturais e estratégias divulgadas na internet aparecem com frequência durante as consultas. O açafrão figura entre os itens mais mencionados por pessoas que buscam informações sobre alternativas para combater a doença. Apesar da popularidade do tema nas redes sociais, o especialista ressalta que nenhum alimento deve ser considerado tratamento para o câncer.

A mesma orientação vale para chás, fórmulas caseiras e substâncias apresentadas como capazes de eliminar tumores. Conforme o oncologista, esses produtos não substituem terapias oncológicas nem podem ser utilizados como alternativa aos tratamentos indicados pela equipe médica.

Suplementos alimentares também estão entre os assuntos mais abordados pelos pacientes. Vitaminas, creatina e outros produtos frequentemente associados à saúde e ao desempenho físico exigem análise individualizada quando utilizados por pessoas em tratamento oncológico.

O médico afirma que orientações encontradas na internet ou adotadas por outros pacientes não devem ser reproduzidas automaticamente. Cada caso precisa ser avaliado de forma específica para que a equipe assistencial determine o que é adequado para determinado paciente.

Relatos compartilhados nas redes sociais igualmente despertam questionamentos sobre alimentação, medicamentos e estratégias terapêuticas. Entretanto, experiências individuais não servem como parâmetro para definir a conduta médica de outras pessoas.

Especialistas reforçam que informações encontradas em vídeos, publicações e depoimentos podem ajudar a ampliar o conhecimento sobre a doença, mas não substituem consultas, exames e acompanhamento profissional.

Nesse contexto, o combate à desinformação passa pelo entendimento de que não existe uma fórmula única válida para todos os casos de câncer. O acompanhamento especializado continua sendo o principal caminho para esclarecer dúvidas e definir as estratégias mais adequadas para cada paciente.

Mitos e verdades sobre o câncer de mama

O autoexame substitui a consulta médica e os exames de rastreamento? Mito. A percepção de alterações nas mamas não substitui a avaliação médica nem os exames indicados para detecção precoce da doença.

A mamografia faz parte do rastreamento do câncer de mama? Verdade. A mamografia é o principal exame utilizado para o rastreamento da doença.

Todo nódulo na mama é câncer? Mito. Alterações benignas também podem provocar o surgimento de nódulos, sendo necessária investigação médica para determinar a causa.

Somente mulheres com histórico familiar precisam se preocupar com a doença? Mito. O histórico familiar é um fator de risco, mas sua ausência não elimina a possibilidade de desenvolver câncer de mama.

Homens também podem ter câncer de mama? Verdade. Apesar de menos frequente, a doença também pode ocorrer na população masculina.

O açafrão pode substituir o tratamento oncológico? Mito. Nenhum alimento ou produto natural deve ser utilizado como substituto das terapias indicadas para o tratamento do câncer.

Todos os pacientes com câncer podem utilizar os mesmos suplementos? Mito. A utilização de suplementos deve ser avaliada individualmente pela equipe responsável pelo tratamento.

Todo câncer recebe o mesmo tratamento? Mito. Existem diferentes tipos de tumores e estratégias terapêuticas específicas para cada situação.

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Fonte: Jornal Opção

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