“Os que erguem bandeiras dos EUA são vira-latas e traidores da pátria”, diz Lula

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Por Luis Mauro FilhoBrasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou de “vira-latas” e “traidores da pátria” as pessoas que levam bandeiras dos Estados Unidos para comitês políticos. A declaração foi feita nesta quarta-feira (9), durante um ato político em Teresina, no Piauí.

“Aqueles que só carregam a bandeira do Brasil e vão para o comitê com bandeira americana são vira-latas, são traidores da pátria que não têm nenhum compromisso com esse país”, afirmou Lula no discurso.

A crítica ocorreu dois dias depois de bandeiras dos Estados Unidos e de Israel dividirem espaço com símbolos brasileiros na manifestação de 7 de Setembro realizada na Avenida Paulista, em São Paulo. O ato reuniu o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e outros representantes da extrema direita.

A manifestação também teve um boneco gigante do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cartazes escritos em inglês e bonés com as frases “Trump 2028” e “Make America Great Again”, slogan do movimento político trumpista.

Lula não mencionou nominalmente a manifestação da Avenida Paulista nem Flávio Bolsonaro ao fazer a declaração em Teresina. O presidente concentrou a crítica nas pessoas que exibem bandeiras norte-americanas em atividades políticas realizadas no Brasil.

O petista contrapôs esses símbolos estrangeiros ao orgulho que disse sentir pelas bandeiras do Brasil e do Partido dos Trabalhadores. “Nunca tive vergonha de dizer: a bandeira do meu Brasil é verde-amarela, mas a do meu PT é vermelha, com uma estrela branca, e eu tenho muito orgulho dela”, declarou.

Lula relacionou a defesa da soberania nacional às políticas de combate à pobreza e de ampliação do acesso a serviços públicos. Segundo ele, sua motivação para continuar na vida política está ligada à melhoria das condições de vida da população.

“Todo dia, eu acordo com a mesma disposição de defender esse povo para que esse povo possa viver dignamente, com educação de qualidade, com comida na mesa, com emprego de qualidade e com salário decente”, disse.

Aos 80 anos, o presidente afirmou que a idade não determina a capacidade de atuação de uma pessoa. “Não são os anos que envelhecem a pessoa. O que envelhece a pessoa é a falta de uma causa pela qual lutar. É a falta de motivação para viver”, declarou.

Lula também relatou episódios de sua infância. Ele lembrou que deixou Pernambuco com a mãe e sete irmãos, em 1952, para procurar o pai em São Paulo. Ao chegar ao estado, a família descobriu que o pai vivia com outra mulher. Segundo o presidente, sua mãe decidiu se separar e criou sozinha os oito filhos.

O presidente disse que a experiência influenciou sua formação política e sua maneira de compreender o papel do Estado. Ele recordou um conselho que ouvia da mãe: “Nunca baixe a cabeça para ninguém. Porque, se você baixar a cabeça, eles colocam uma canga no seu pescoço e você nunca mais levanta a cabeça. A gente pode ser pobre, mas tem que ter orgulho do que é. E a gente não é pior do que ninguém. A gente só quer ser igual”.

Ao comparar a administração pública com a responsabilidade familiar, Lula afirmou que um governo precisa avaliar suas decisões pela perspectiva de uma mãe que cuida dos filhos. “Se alguém quiser governar bem o Brasil, tem que governar como uma mãe governa sua família”, disse. Ele acrescentou que o país possui uma população de aproximadamente 217 milhões de pessoas.

O presidente relembrou ainda sua primeira viagem ao Piauí, ocorrida 46 anos antes, quando participou da organização do PT no estado. Lula homenageou antigos militantes do partido e afirmou que, naquela ocasião, o atual governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), tinha apenas um ano de idade.

Na área da educação, Lula criticou a exclusão histórica de indígenas, pessoas escravizadas e trabalhadores pobres do sistema de ensino. Ele atribuiu aos governos petistas a expansão das universidades e dos institutos federais e reafirmou o compromisso de ampliar as escolas de tempo integral no país.

Segundo o presidente, a expansão da jornada escolar poderá oferecer mais oportunidades às crianças e segurança aos responsáveis que precisam trabalhar. A proposta, afirmou, deverá alcançar todo o território nacional.

Lula também recordou que escolheu o Piauí para as primeiras ações do Fome Zero após sua eleição à Presidência. Ele disse ter procurado uma das cidades mais pobres do estado para iniciar o programa e relacionou a pobreza à ausência de oportunidades. “A gente só é pobre porque não tem oportunidade”, afirmou.

O presidente declarou que o Piauí passou a apresentar resultados que considera positivos nas áreas de educação e desenvolvimento. Ele também homenageou a ex-governadora Regina Sousa, a quem chamou de referência para o partido e para as mulheres brasileiras.

“Você é para o PT como se fosse a matriarca desse partido. Rafael te obedece e eu te obedeço, porque você é companheira de ontem, de hoje e de sempre”, disse Lula a Regina.

Fonte: Brasil 247

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