Operação Laudo Cego desarticula esquema de fraude em benefícios do INSS no Maranhão e em mais cinco estados
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – A Força-Tarefa Previdenciária no Maranhão deflagrou, na manhã desta terça-feira (22), a Operação Laudo Cego. A ação visa desarticular uma organização criminosa suspeita de obter e manter, de forma fraudulenta, benefícios previdenciários por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença). De acordo com a Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social (CGINP), foram identificados 172 benefícios potencialmente irregulares, com um prejuízo estimado aos cofres públicos em aproximadamente R$ 6,5 milhões. A suspensão dos pagamentos indevidos deve gerar uma economia futura de cerca de R$ 1 milhão, segundo informações divulgadas pelas autoridades.
A operação é um desdobramento da Operação Camisaria, deflagrada em setembro de 2024. O mapeamento do material apreendido naquela ocasião, somado a novas diligências investigativas, revelou indícios consistentes da existência de uma estrutura voltada à concessão ilícita de auxílios previdenciários.
Ao todo, os agentes cumpriram 39 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal. As ações ocorreram em nove municípios do Maranhão — São Luís, Paço do Lumiar, São José de Ribamar, Pinheiro, Santa Helena, Palmeirândia, Presidente Sarney, Presidente Juscelino e Brejo —, além de localidades em outros cinco estados: Santa Rosa (RS), Cotia (SP), Parauapebas (PA), Parnaíba (PI) e Ubajara (CE).
Estrutura do grupo e medidas cautelares
A Justiça Federal também determinou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, a proibição de contato entre os suspeitos e o sequestro e penhora de bens e valores, medidas voltadas a assegurar o eventual ressarcimento dos danos causados à União.
Conforme apontou a investigação, a organização criminosa estava dividida em núcleos com atribuições específicas. O esquema reunia servidores públicos, profissionais da saúde, contadores, empresários e intermediários. Entre as condutas ilícitas apuradas pela polícia estão:
- Emissão de laudos médicos falsos;
- Criação de vínculos empregatícios fictícios;
- Inserção de dados fraudulentos nos sistemas previdenciários;
- Recrutamento de falsos beneficiários;
- Movimentação e lavagem dos valores obtidos ilegalmente.
Os investigados poderão responder, conforme a extensão de suas participações, pelos crimes de estelionato previdenciário, falsificação de documento público, inserção de dados falsos em sistema de informações, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
As apurações continuam com a análise de todo o material apreendido e o processamento dos dados coletados durante o cumprimento das medidas judiciais.
A Operação Laudo Cego foi conduzida pela Polícia Federal em cooperação direta com a CGINP, órgão vinculado ao Ministério da Previdência Social (MPS). Há 26 anos, a Força-Tarefa Previdenciária junta os esforços do MPS e da Polícia Federal na repressão a crimes estruturados contra a Previdência Social. No âmbito do Ministério, a CGINP atua na detecção e análise de indícios de fraudes organizadas contra o sistema previdenciário público.
Fonte: Brasil 247