Nova fase da Carbono oculto revela elo entre caso Master e PCC

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – A terceira fase da Operação Carbono Oculto, batizada de Crédito Oculto, mirou nesta quinta-feira um ponto sensível das investigações sobre lavagem de dinheiro no país: a possível conexão entre estruturas financeiras ligadas ao crime organizado, em especial ao PCC, e operadores associados ao esquema do Banco Master.

Um dos alvos da nova etapa é Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, apontado como operador financeiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Freixo assinou delação premiada no caso Master e, de acordo com a colunista, teria atuado tanto no transporte de dinheiro vivo para pagamento de propina quanto no envio de milhões de reais para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a vida de Jair Bolsonaro.

A operação é tratada por investigadores como uma nova frente de combate à infiltração de facções criminosas na economia formal, com foco no setor de combustíveis e em agentes do mercado financeiro. A investigação também tem como alvo um diretor da Genial Investimentos.

De acordo com a Receita Federal, a apuração identificou “a construção e a interligação de múltiplas estruturas de lavagem de capitais, não apenas pela organização criminosa atuante em todo o setor de combustíveis, mas essencialmente por operadores do mercado financeiro que prestam serviços de lavagem de capitais, consistindo em verdadeiras convergências criminosas à disposição de múltiplos grupos criminosos”.

Freixo é descrito na investigação como “pioneiro nas Bahamas”, em referência a estruturas offshore que teria montado no país caribenho. Ainda segundo a reportagem, ele também teria sido responsável pelo desvio de recursos do banco de Vorcaro para o exterior. Esse dinheiro estaria sendo rastreado pelo liquidante do Master com o objetivo de recompor parte do passivo deixado pela instituição financeira.

A Receita afirma ainda que a empresa financeira usada na aquisição simulada de uma empresa sucroalcooleira movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. Para o órgão, o volume “reforça os indícios de uso de uma estrutura financeira e de investimentos para ocultação patrimonial, dissimulação da origem de recursos e lavagem de capitais”.

A Operação Crédito Oculto cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas, distribuídos por sete estados. Ao todo, são 26 alvos em São Paulo e um em cada um dos seguintes estados: Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

A nova fase é um desdobramento da Operação Carbono Oculto e foi deflagrada em ação conjunta da Receita Federal, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, da Polícia Militar e da Polícia Civil. A operação conta ainda com apoio dos Gaecos do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Fonte: Brasil 247

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