Natura anuncia emissão de R$ 700 milhões ligada a metas de uso de plástico sustentável

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A Natura anunciou na semana passada, dia 17, uma emissão de debêntures no valor de R$ 700 milhões vinculada a metas de sustentabilidade. A operação, coordenada pelo banco UBS BB, estabelece objetivos relacionados ao aumento da participação de plástico considerado sustentável nas embalagens de produtos acabados das marcas Natura e Avon.
Segundo a companhia, a operação é a primeira debênture corporativa emitida no Brasil alinhada ao guia Sustainable Bonds for Nature: A Practitioner’s Guide, da International Capital Market Association (ICMA), publicado em 2025. A Natura também afirma que a emissão é pioneira no setor global de cosméticos com foco específico em plástico.
Diferentemente de um título convencional, o chamado Sustainability-Linked Bond (SLB), o tipo de instrumento da emissão, tem suas condições vinculadas ao cumprimento de indicadores de sustentabilidade definidos previamente. Neste caso, o indicador considera a proporção, em peso, de plástico reciclado pós-consumo (PCR) e de plástico de fonte renovável utilizado nas embalagens elegíveis.
A Natura estabeleceu como referência um índice de 21% de plástico sustentável em 2022. A meta prevista na nova emissão é elevar esse percentual para 43% em 2028 e 46% em 2029. A empresa mantém ainda o objetivo público de chegar a 50% em 2030.
O plástico reciclado pós-consumo é produzido a partir de materiais que já foram utilizados e descartados pelos consumidores e posteriormente recuperados para voltar à cadeia produtiva. Já os plásticos de fonte renovável utilizam matérias-primas de origem não fóssil, dentro dos critérios definidos pela companhia para o indicador.
A estratégia representa uma ampliação de um compromisso assumido anteriormente. Em 2021, a Natura realizou sua primeira emissão de SLB, também relacionada ao uso de plástico reciclado nas embalagens. Na ocasião, a empresa estabeleceu a meta de alcançar 25% de PCR até 2026. Segundo os dados divulgados agora, o índice chegou a 30% em 2025, antecipando o objetivo.
Financiamento ligado à agenda ambiental
A nova operação faz parte da estratégia de finanças sustentáveis da companhia. A Natura afirma que, com a emissão, 65% de seus títulos passam a estar vinculados a indicadores socioambientais. O objetivo declarado pela empresa é chegar a 100%.
Em 2025, a companhia também realizou uma emissão relacionada ao uso de bioingredientes amazônicos. A nova operação amplia o foco para a circularidade das embalagens e para a redução da utilização de plástico fóssil virgem.
“Com o lançamento da nossa Visão 2050, nos comprometemos a ser uma empresa 100% regenerativa até 2050”, afirmou Silvia Vilas Boas, CFO da Natura. Segundo ela, a vinculação das condições financeiras da emissão às metas de plástico sustentável transforma a estratégia de circularidade em um compromisso associado ao financiamento da empresa.

A Natura também estabeleceu, em sua Visão 2050, o objetivo de que 100% dos plásticos de seu portfólio tenham origem renovável e sejam compostáveis.
A operação ocorre em um momento de ampliação do mercado de títulos financeiros associados a metas ambientais. Nesse modelo, os compromissos de sustentabilidade passam a fazer parte da estrutura financeira da emissão, criando indicadores que podem ser acompanhados ao longo do período estabelecido no título.

Fonte: umsoplaneta

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