Na ONU, China cobra fim das sanções a Cuba e respeito à soberania no Golfo
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – O vice-presidente da China, Han Zheng, pediu o fim das ameaças de uso da força e das sanções contra Cuba e afirmou que a soberania dos países do Golfo deve ser respeitada. As declarações foram feitas neste sábado (26), na Assembleia Geral da ONU, dias após o encontro entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, segundo a Reuters.
Han não citou os Estados Unidos pelo nome ao tratar de Cuba, mas dirigiu seu apelo ao “país em questão”. “A China insta o país em questão a cessar imediatamente o uso da ameaça de força contra Cuba e a suspender imediata e completamente o bloqueio e as sanções contra Cuba”, afirmou.
A cobrança ocorre em meio à pressão dos EUA sobre a ilha. As restrições ao fornecimento de petróleo, intensificadas desde janeiro, agravaram a escassez de combustível em Cuba. No início de setembro, um colapso da rede elétrica deixou milhões de pessoas sem energia. O sistema de geração do país também enfrenta problemas antigos de infraestrutura.
Ao abordar o Oriente Médio, Han defendeu o respeito à soberania dos países da região. “A China defende que a soberania e a segurança dos países do Oriente Médio, incluindo os do Golfo, devem ser respeitadas”, disse. A manifestação ocorre após os ataques conjuntos de EUA e Israel ao Irã, em fevereiro.
Na sexta-feira (25), o embaixador norte-americano na China afirmou que Trump havia advertido Xi, durante as conversas em Washington, contra o apoio chinês ao Irã e recebido garantias de que isso não ocorreria. A Reuters também relatou acusações de fornecimento de lançadores portáteis de mísseis antiaéreos ao Irã por Pequim e de ajuda chinesa para contornar sanções às vendas de petróleo iraniano.
Han associou suas posições à responsabilidade das grandes potências na política internacional. “Os principais países devem ter responsabilidades especiais na salvaguarda da paz e da segurança internacionais e devem assumir a liderança no cumprimento das regras, na defesa do Estado de Direito e na prática do que é certo”, declarou.
Horas depois do discurso chinês, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, também pediu na ONU que Washington encerrasse o “cerco” a Cuba e suspendesse as restrições comerciais à ilha. Ele defendeu ainda a retirada do país da lista norte-americana de Estados patrocinadores do terrorismo.
Ao concluir sua manifestação, Han apresentou a China como defensora da participação dos países em desenvolvimento nas decisões internacionais. “A China defende que todos os países, grandes ou pequenos, são membros iguais da comunidade internacional e que os assuntos mundiais devem ser tratados por todos através de consultas”, afirmou.
Fonte: Brasil 247