Mudança de seções pelo TSE em eleições disputadas voto a voto é ‘muito grave’, diz cientista político

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Por José Bernardes — Brasil de Fato

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

A campanha pela virada de voto, capitaneada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), ganhou tração e invadiu as ruas de diversas cidades Brasil afora, de olho no voto do eleitor que se absteve no primeiro turno. Em linhas gerais, o processo de convencimento se dá com a estratégia de aumentar a rejeição a Flávio Bolsonaro (PL).

Ao mesmo tempo que as mobilizações foram crescendo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a divulgar que parte das seções eleitorais pelo país teria mudança de local. No entanto, com o passar dos dias, em vez de deixar a situação mais clara, o TSE tem difundido informações divergentes, causando mais confusão do que esclarecimento.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Juarez Guimarães, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), avalia como “muito grave” essa medida anunciada pelo TSE, já que estamos vivendo um cenário de tensão eleitoral e qualquer tipo de instabilidade pode prejudicar o processo.

“Em uma eleição disputada voto a voto, uma instabilidade causada exatamente por quem deveria fornecer as informações de modo regular e prévio sobre as seções eleitorais, nesse contexto todo, é muito grave. O atual presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, indicado por Bolsonaro, tem sido acusado de forma legítima por sua parcialidade, tomando decisões arbitrárias”, critica.

Guimarães explica que, apesar do alto grau de abstenção no primeiro turno, geralmente a ciência política relaciona positivamente grau de polarização e nível de comparecimento às eleições. Por essa razão, o professor considera que, neste segundo turno, a tendência é, de fato, mais pessoas irem votar.

“São duas candidaturas com forte estrutura nacional e que têm mobilizado todas as suas energias, seus apoios institucionais e suas mídias. Então é uma avaliação difícil saber o que vai acontecer. É possível que não haja uma diferença significativa entre o primeiro e o segundo turno no índice de abstenção”, aponta.

O cientista político destaca que o protagonismo dos estudantes tem sido surpreendente nestas eleições. “Fazia muito tempo que não víamos manifestações do movimento estudantil tão grandiosas. O novo protagonismo assumido pela campanha de Lula nas redes tem sido extraordinário, mais um aumento generalizado do risco trazido em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro. Tudo isso cria um contexto de uma possível maior mobilização do eleitor”, considera.

O cientista político Juarez Guimarães também avalia a notícia de que a Meta favoreceu o engajamento de contas da campanha de Flávio e prejudicou a de Lula. Para ele, o problema é mais profundo. “Estamos falando de empresas que, em geral, têm se movimentado no sentido de um apoio ao governo Trump nos EUA. Elas estruturam a campanha bolsonarista. Então, trata-se de um caso mais grave do que uma parcialidade eventual ocorrida nessas eleições”, pontua.

Guimarães considera que, dado o número de investigações e condutas suspeitas de Flávio, o correto seria impedir que ele seguisse candidato. “Tinha que ter sido interditada pelo Poder Judiciário. Não foi, e nós sabemos que foi por causa de uma série de penetrações da família Bolsonaro nas instituições. E agora estamos vivendo esse risco aumentado: ter alguém com tanta ligação com corrupção, com o crime organizado, chegar ao centro do Estado brasileiro”, afirma.

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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Fonte: Brasil de Fato

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