A seis meses das eleições, França tem onda de protestos por melhorias na educação, direitos dos imigrantes e contra o alto custo de vida
Por José Bernardes — Brasil de Fato
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As mobilizações em diversas cidades na França contra medidas do governo de Emmanuel Macron foram aumentando de proporção nos últimos dias, com episódios de repressão policial, de violência e saques. Mais de 800 mil manifestantes participaram dos últimos atos. Paris, Lyon e Marselha são algumas das cidades que decretaram restrições de circulação nos períodos noturnos, como toque de recolher.
Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Danilo Queiroz, estudante de jornalismo e residente em Lyon, na França, conta que as manifestações, que tiveram seus primeiros registros em 7 de setembro, não começaram em território francês, mas na Guiana Francesa, Polinésia e Martinica. E traziam em seu bojo a luta de estudantes por melhores condições no ensino.
“A partir disso, as reivindicações chegaram a Paris. As principais delas são a contratação de professores, sobretudo em bairros periféricos, como também a melhoria da infraestrutura das escolas. O alto custo de vida também se somou a essa demanda inicial”, conta.
Queiroz explica que, daqui a poucos meses, a França escolherá seu novo presidente e Emmanuel Macron não poderá se candidatar à reeleição. Nesse contexto, o partido de esquerda LFI tem trabalhado a candidatura de Jean-Luc Mélenchon, enquanto Marine Le Pen galvaniza apoios da extrema direita.
“Acaba sendo um momento em que os futuros candidatos podem entender as demandas dos mais diversos setores que estão nas ruas”, afirma Queiroz.
O estudante conta que a mobilização em rede foi fundamental para que os protestos ganhassem musculatura. “Os estudantes estão em grupos de WhatsApp e nas redes sociais, convocando as pessoas a participarem dos protestos. O problema é que tem acontecido a infiltração de vândalos que têm promovido depredação e saques a lojas. E isso tem gerado uma guerra de narrativas. A direita tem usado a narrativa de que os protestos foram cooptados pelos vândalos e aí colam a isso a presença de imigrantes, sobretudo os imigrantes árabes que vêm do Marrocos e da Argélia, e que são a maioria dos estudantes de fora”, argumenta.
Queiroz observa que uma das reivindicações é o fim de uma lei que permite o tratamento desigual entre estudantes europeus e imigrantes. “É a desigualdade na taxa de matrícula. Os imigrantes pagam três vezes mais por essa taxa”, reforça.
Ele também relata que há um problema sério de moradia que atinge não apenas a França, como toda a Europa, e especialmente setores mais conservadores colocam a culpa na imigração. “Tem pessoas aqui em Lyon que vivem nas ruas e não são pessoas em situação de rua, mas é porque não têm lugar para morar. Então é uma série de fatores que vão se acumulando. E aí existe essa narrativa na extrema direita, de que a população imigrante é o problema de todo esse mal-estar que a França tem enfrentado”, conclui.
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
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Fonte: Brasil de Fato