Mounjaro causa queda de cabelo? Dermatologistas explicam o que fazer
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Publicado em 21 de Setembro de 2026 às 15:38
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A perda de peso rápida proporcionada por medicamentos como o Mounjaro (tirzepatida) tem transformado o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. No entanto, à medida que mais pacientes alcançam resultados expressivos na balança, um efeito colateral estético começa a preocupar nos consultórios: a queda de cabelo.
A queda capilar consta na bula do Mounjaro como um efeito colateral comum, afetando entre 1% e 10% dos usuários. Mas a pergunta que muitos fazem é: o remédio ataca diretamente os fios?
A resposta é não. Dermatologistas explicam que o medicamento em si não possui um mecanismo tóxico para os folículos pilosos. O verdadeiro culpado por trás dos fios ralos é o eflúvio telógeno, uma condição desencadeada pelo estresse físico e metabólico provocado pelo emagrecimento acelerado.
A dermatologista Isabella Redighieri diz que a queda de cabelo pode ocorrer durante o tratamento com tirzepatida, embora não aconteça com todas as pessoas. “Nos estudos clínicos, a queda capilar foi relatada como um evento adverso e esteve associada principalmente à perda de peso rápida. Além disso, a diminuição de ingestão calórica e de proteínas pode acentuar a queda. Por isso, é importante entender que, muitas vezes, não é o medicamento agindo diretamente no folículo, mas o conjunto de alterações que acompanha o emagrecimento”.
A própria perda de peso, principalmente quando rápida, é um dos principais fatores. Além disso, a redução importante da ingestão calórica pode levar a uma ingestão insuficiente de proteínas, ferro, zinco e outros nutrientes importantes para o ciclo capilar. ” Também devemos considerar que algumas pessoas já apresentam uma predisposição a doenças capilares, como a alopecia androgenética, e o emagrecimento pode funcionar como um gatilho para tornar a rarefação mais evidente”, diz Isabella Redighieri.
O cabelo é bastante sensível a mudanças metabólicas. Quando ocorre uma perda de peso importante, especialmente em um período relativamente curto, o organismo pode interpretar essa mudança como uma situação de estresse e redirecionar energia e nutrientes para funções consideradas prioritárias. ” Como consequência, uma parcela maior dos fios pode deixar prematuramente a fase de crescimento e entrar na fase de repouso, levando à queda algumas semanas ou meses depois. Esse mecanismo é típico do chamado eflúvio telógeno“, diz a dermatologista.
O eflúvio telógeno é uma das principais explicações para a queda de cabelo observada após mudanças repentinas no organismo, entre elas, o emagrecimento, que é um gatilho.
É uma alteração geralmente temporária do ciclo capilar. O mais característico é que a queda não aconteça necessariamente durante o período de maior emagrecimento, mas algumas semanas ou meses depois do gatilho
Isabella Redighieri Dermatologista
Isabella conta que, q uando o fator desencadeante é controlado e não existe outra doença capilar associada, o ciclo tende a se normalizar progressivamente. “Em muitos casos, a densidade capilar melhora ao longo de alguns meses, embora a recuperação completa possa levar mais tempo”.
A dermatologista Emilly Neves diz que a causa mais provável não é um efeito tóxico direto do medicamento sobre o folículo, mas uma consequência da redução de peso abrupta que ele promove. “Quando o organismo passa por uma mudança importante e rápida, ele pode entrar em um estado de adaptação, causando um grande estresse no ciclo capilar. Como resultado, observa-se queda aumentada com aparecimento de novas falhas no couro cabeludo”.
A médica reforça que o eflúvio telógeno é um dos principais diagnósticos. “Aparece com queda difusa, intensa e abrupta dos fios após algum fator estressor para o folículo. A perda inicia de um a quatro meses após a situação desencadeante, dura 6 meses ou até mais tempo de acordo com os gatilhos que acontecem na vida do paciente”.
Por isso, quanto maior e mais rápida a perda de peso, maior pode ser o estímulo para um eflúvio telógeno. Isso não significa que toda pessoa que emagrecer rapidamente terá queda de cabelo, mas é importante observar. “O ideal é que o emagrecimento seja acompanhado por um médico e por um nutricionista, para garantir que o paciente esteja recebendo proteínas, vitaminas e minerais adequadamente”, reforça Emilly.
A principal medida para prevenir a queda durante o tratamento é evitar deficiências nutricionais. Mesmo com a redução do apetite, é importante manter uma alimentação equilibrada e garantir uma quantidade adequada de proteínas e nutrientes, que são essenciais para a produção de novos fios.
Quanto às vitaminas, reforço que não é recomendável tomar suplementos por conta própria. O ideal é identificar se realmente existe alguma deficiência antes de suplementar
Emilly Neves Dermatologista
O estilo de vida também influencia: manter uma boa qualidade de sono, realizar atividade física regularmente e reduzir o estresse são hábitos que podem melhorar a saúde capilar.
Isabella Redighieri diz que é importante garantir uma alimentação equilibrada, com ingestão adequada de proteínas e micronutrientes, além de manter o acompanhamento médico e nutricional durante o tratamento. ” Também é importante evitar dietas excessivamente restritivas. A redução das calorias precisa ser individualizada e compatível com as necessidades do organismo”.
A médica também não recomenda iniciar vitaminas ou suplementos para cabelo por conta própria. “Tanto a deficiência quanto o excesso de determinados nutrientes podem estar relacionados à queda capilar. Quando existe suspeita de deficiência, a investigação deve ser feita de forma individualizada”.
O tratamento depende da causa da queda. “No caso de um eflúvio telógeno relacionado ao emagrecimento, o primeiro passo é identificar e corrigir os fatores desencadeantes, como perda de peso muito acelerada, baixa ingestão proteica ou deficiências nutricionais”, diz Isabella Redighieri.
Dependendo da avaliação, o dermatologista pode solicitar exames laboratoriais e indicar tratamentos para estimular e preservar o crescimento dos fios. “Em alguns pacientes, podem ser utilizados medicamentos como o minoxidil, vitaminas, fatores de crescimento além de outras terapias regenerativas conforme o diagnóstico”, reforça.
O mais importante é não tratar apenas a queda sem investigar sua causa. E também não é recomendado suspender a tirzepatida por conta própria; qualquer decisão sobre a continuidade ou alteração do tratamento deve ser feita com o médico responsável.
Emilly Neves diz que é necessário investigar qual é o tipo de alopecia do paciente e os possíveis gatilhos recentes. “A alopecia androgenética é uma das doenças que podem ficar mais evidentes após um grande eflúvio, por isso examinar o couro cabeludo é essencial”.
Se for um eflúvio telógeno relacionado ao emagrecimento, é necessário corrigir os fatores desencadeantes e permitir que o ciclo capilar se normalize. “Os cuidados são realizados com medicações de uso oral ou tópico e suplementação de nutrientes, quando necessário. Em alguns casos, tratamentos injetáveis no consultório são indicados para aplicar medicamentos e ativos estimulantes diretamente no couro cabeludo para potencializar ainda mais a recuperação”, finaliza.
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