Nos EUA, Lula chama Trump de ‘imperador’ e diz não querer ‘guerra comercial’
Por Jamil Chade — ICL Notícias
Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
Às vésperas de um possível encontro informal com Donald Trump na ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não hesitou em criticar seu homologo americano. Em entrevista à rede CNN Internacional, o brasileiro acusou o chefe da Casa Branca de agir “como um imperador” e alertou para os ataques realizados por Trump contra a soberania de outros países.
Lula está em Nova York para abrir a Assembleia Geral da ONU, que começa nesta terça-feira. Um ano depois do encontro que foi marcado por comentários de que havia uma “química” entre os dois líderes, Lula sinalizou um postura de desafio ao americano. “Ele age como um imperador, ele tem um jeito de governar que eu não concordo”, disse. Essa não foi a primeira vez que o brasileiro usou esse termo para se referir ao americano.
“É um jeito de que ‘eu sou o mais forte, eu posso fazer tudo e os outros têm que obedecer’”, disse. “O presidente Trump tem uma forte tendencia pelo individualismo, e isso é muito perigoso”, insistiu.
O ICL Notícias apurou que a diplomacia brasileira considera como previsível um encontro entre Lula e Trump, nas salas que dão acesso ao palco central da ONU, nesta terça-feira. Não há um encontro formal organizado, já que ambos os lados não acreditam que poderia haver qualquer sinalização de um entendimento, faltando poucas semanas para a eleição no Brasil.
Na entrevista que foi ao ar nesta tarde nos EUA, Lula voltou a criticar as tarifas impostas por Trump, fez referências às eventuais retaliações do Brasil, mas deixou claro que “não quer uma guerra comercial”. “Eu prefiro o diálogo”, afirmou.
Lula repetiu o mantra de que as barreiras foram impostas com base em “mentiras” e indicou que se a negociação não resultar em um acordo, o Brasil poderia buscar outros caminhos.
Em seu discurso na ONU, o presidente brasileiro irá rejeitar a ingerência externa nas eleições e vai defender a soberania. Nesta segunda-feira, ele admitiu não estar tranquilo com o pleito. “Em toda eleição eu fico preocupado”, disse. Mas tentou dar sinais de confiança sobre uma vitória de seu campo.
“Ninguém fez mais do que nós em políticas sociais. O que está em disputa no Brasil hoje não são partidos, mas entre ter democracia ou barbarismo. Conservar a natureza ou desmatar. Incluir as pessoas ou abandonar os pobres. Apoiar a cultura ou destruí-la”, afirmou.
Na entrevista, ele deu uma sinalização do tom que poderia usar no discurso de amanhã. “O presidente Trump foi eleito pelos EUA e tem direito de governar os EUA”, ponderou. “Mas não tem direito de interferir em outros países”, disse.
“Ele não tem direito de impor suas vontades, tem que ter vontade de negociar. Quero respeito e ser respeitado”, disse.
Lula, nesta terça-feira, ainda irá criticar governos que acreditam que podem mandar sozinhos no mundo, outro recado ao presidente dos EUA.
Durante a entrevista, Lula ainda qualificou como “grave” a atuação dos EUA na captura de Nicolas Maduro. O presidente sugeriu que soberania venezuelana teria “acabado” e alertou que isso não é bom para os EUA e nem para a democracia. Sua sugestão é de que Delcy Rodriguez, a presidente interina, convoque rapidamente uma eleição.
“É grave o que os EUA fizeram à Venezuela. A soberania do país acabou. Isso não é bom para os dois países nem para a democracia. Desse modo os EUA são os chefes da Delcy”, completou.
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Fonte: ICL Notícias