Montadoras chinesas veem Brasil como porta de entrada para a Europa

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Por Tiago Souza — Carta Capital

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Redução de tarifas prevista no acordo UE-Mercosul pode atrair investimentos, desde que os veículos atendam às regras comerciais do bloco

A expansão das montadoras chinesas na América do Sul começa a alterar o equilíbrio de um mercado historicamente dominado por fabricantes ocidentais. Nesse cenário, o Brasil ganha importância não apenas pelo tamanho de seu mercado consumidor, mas também pela possibilidade de se tornar uma plataforma industrial para empresas interessadas em ampliar sua presença internacional.

Em reportagem publicada pela revista italiana Quattroruote, o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul aparece como um fator capaz de abrir novas oportunidades para o setor automotivo. A aplicação provisória do tratado começou em 1º de maio de 2026, com a redução gradual de tarifas e de outras barreiras comerciais entre os blocos.

O acordo prevê a eliminação progressiva de tarifas sobre grande parte dos produtos comercializados entre as duas regiões. Para as montadoras, isso pode favorecer a reorganização de cadeias produtivas e ampliar as possibilidades de exportação. O benefício, porém, não é automático: veículos fabricados no Brasil precisarão cumprir as regras de origem estabelecidas no tratado para ter direito às preferências tarifárias na União Europeia.

O Brasil é um território tradicionalmente disputado por grandes fabricantes ocidentais, entre elas Fiat e Volkswagen, que mantêm operações industriais no País há décadas. A presença de novas marcas, especialmente chinesas, acrescenta um componente à concorrência e estimula mudanças nas estratégias de produção e expansão regional.

A reportagem da Quattroruote menciona visitas às fábricas da Stellantis em Betim, Minas Gerais, e da Renault na região de Curitiba, no Paraná. As visitas fazem parte de uma série dedicada a complexos automotivos localizados fora da Europa.

O interesse italiano pelo mercado sul-americano também se manifestou em uma missão empresarial liderada pelo ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani. A iniciativa reuniu mais de 100 empresas e buscou ampliar a presença econômica italiana na América Latina em meio às novas perspectivas comerciais abertas pelo acordo.

A criação de uma área comercial que reúne cerca de 700 milhões de consumidores amplia as possibilidades de negócios entre a União Europeia e os países do Mercosul. As oportunidades não se restringem às empresas europeias: fabricantes chinesas instaladas na América do Sul também podem avaliar o uso de estruturas produtivas locais para atender a outros mercados.

Para essas empresas, entretanto, estabelecer uma fábrica no Brasil não basta para garantir acesso às tarifas preferenciais europeias. O tratamento previsto no acordo depende do cumprimento dos critérios de origem aplicáveis a cada produto, que determinam se um veículo pode ser considerado originário de um dos blocos.

A estratégia, portanto, exigiria avaliar a localização dos fornecedores, a origem dos componentes e as etapas de fabricação realizadas no País. A possibilidade de exportar veículos produzidos no Brasil para a Europa representa uma oportunidade a ser explorada, não uma vantagem tarifária assegurada a qualquer fabricante que se instale no território brasileiro.

O acordo comercial provisório começou a ser aplicado em 1º de maio de 2026. Sua conclusão definitiva, contudo, ainda depende das etapas institucionais europeias. O Parlamento Europeu encaminhou a questão ao Tribunal de Justiça da União Europeia para que seja examinada a compatibilidade jurídica do tratado com os acordos e as regras do bloco.

Enquanto o processo não é concluído, a aplicação provisória permite que parte dos benefícios comerciais entre em vigor. Para a indústria automotiva, o alcance dessas vantagens dependerá do calendário de redução tarifária, das regras específicas para cada produto e da capacidade das empresas de adaptar suas operações.

Nesse contexto, o Brasil pode ganhar relevância nas estratégias de fabricantes ocidentais e chinesas. A combinação entre mercado consumidor, estrutura industrial e acesso a um acordo comercial de grande alcance torna o País uma alternativa a ser considerada — embora a transformação dessa possibilidade em uma rota efetiva de exportação para a Europa dependa de decisões empresariais e do cumprimento das condições previstas no tratado.

*Conteúdo produzido com auxílio de IA sob a supervisão de um profissional do CartaLab.


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Fonte: Carta Capital

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